A psicóloga Carolina propôs a criação de um grupo operativo voltado para tabagistas na Unidade Básica de Saúde em que ela atua. Este tipo de trabalho desenvolve-se a partir de
- A)palestras educativas sobre os malefícios do tabaco para a saúde.
Errada, porque palestras educativas são ações informativas, mas não definem a dinâmica de tarefa e elaboração típica do grupo operativo.
- B)análises da transferência e da contratransferência grupal.
Errada, porque transferência e contratransferência são conceitos importantes da clínica psicanalítica, não o eixo central do grupo operativo.
- C)reuniões para realização da tarefa de dialogar acerca do uso do tabaco.
Certa, porque o grupo operativo se organiza em torno de uma tarefa compartilhada, com diálogo e elaboração coletiva sobre o tema proposto.
- D)atendimentos terapêuticos individuais e familiares com usuários.
Errada, porque atendimentos individuais e familiares são modalidades terapêuticas distintas, não a base de funcionamento de um grupo operativo.
- E)redução de danos graças à substituição do tabaco por adesivos de nicotina.
Errada, porque redução de danos com adesivos de nicotina é uma estratégia de tratamento, mas não define o formato psicoterápico do grupo.
Gabarito: C
O grupo operativo é uma proposta clássica ligada a Enrique Pichon-Rivière. A ideia central não é fazer palestra, nem ter uma sequência de consultas individuais, mas organizar um grupo em torno de uma tarefa comum, com foco na troca entre os participantes e na construção coletiva de sentidos. Em outras palavras: o grupo existe para trabalhar um problema, e o próprio diálogo vira ferramenta de mudança. Na prática, isso significa que as pessoas se reúnem para falar, escutar, confrontar ideias e elaborar dificuldades relacionadas ao tema escolhido. O coordenador não fica dando aula o tempo todo; ele ajuda o grupo a manter a tarefa e a avançar na reflexão. É um modelo muito usado em saúde, educação e contextos comunitários, justamente porque valoriza a participação ativa e a aprendizagem em grupo. Por isso, na questão, um grupo operativo para tabagistas se desenvolve a partir de reuniões voltadas para a tarefa de dialogar sobre o uso do tabaco, suas funções, dificuldades e possibilidades de mudança. O foco está no processo grupal e na elaboração coletiva do problema, e não apenas em informar riscos ou prescrever condutas. A alternativa correta é a C. Ela descreve exatamente a lógica do grupo operativo: reuniões com uma tarefa comum, no caso, conversar e trabalhar o uso do tabaco. Esse é o núcleo da proposta de Pichon-Rivière, muito cobrada em concursos quando a banca quer ver se você distingue grupo operativo de palestra educativa ou atendimento clínico individual.