O conceito desenvolvido por D.W. Winnicott sobre a produção de um mediador, pelo bebê, de forma a suportar a ausência materna é:
- A)holding;
Holding é a sustentação ambiental oferecida pelo cuidador, não o mediador criado pelo bebê para suportar a ausência materna.
- B)handling;
Handling é o manejo corporal do bebê pelo ambiente, ligado aos cuidados físicos, e não ao objeto que faz a função de ponte afetiva.
- C)objeto transicional;
Correta: objeto transicional é o mediador criado pelo bebê para tolerar a ausência materna e ajudar na passagem para maior autonomia.
- D)verdadeiro self;
Verdadeiro self é a expressão espontânea e autêntica do indivíduo, não o conceito de objeto usado como apoio na separação.
- E)self imaginal.
Self imaginal não é o conceito clássico de Winnicott cobrado aqui e não corresponde ao mediador criado pelo bebê.
Gabarito: C
Winnicott ficou famoso por olhar para o bebê como alguém que não nasce pronto para “dar conta da vida” sozinho. Para ele, o desenvolvimento saudável depende de um ambiente suficientemente bom, com cuidados que sustentem, acolham e organizem a experiência do bebê. É nesse cenário que aparecem os conceitos clássicos de holding, handling e objeto transicional. O objeto transicional é, justamente, aquele primeiro “companheiro” escolhido pelo bebê para ajudar a suportar a ausência da mãe ou da figura materna: pode ser um paninho, um bichinho, uma fraldinha. Ele ocupa uma área intermediária entre o mundo interno e a realidade externa, funcionando como apoio afetivo na passagem da dependência absoluta para uma maior autonomia. É uma invenção do bebê, mas com grande valor psíquico. O importante aqui é que não se trata apenas de conforto físico, e sim de um mediador simbólico da separação. Já o holding é a sustentação ambiental, o modo como o cuidador “segura” o bebê com presença, previsibilidade e acolhimento. Handling é o manejo, o modo como o bebê é manipulado e cuidado no corpo, ajudando na integração psíquica e corporal. O verdadeiro self é a organização espontânea e autêntica do sujeito, não o mediador da ausência materna. Por isso, o gabarito é a letra C: objeto transicional. É exatamente o conceito winnicottiano que descreve o recurso criado pelo bebê para lidar com a falta da mãe e fazer a ponte entre dependência e separação.