O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é complexo em suas características e critérios diagnósticos. Nesses casos, o psicólogo
- A)avaliará as questões relacionadas à fala e à linguagem, pois não é uma ocorrência comum nesses pacientes.
Errada, porque alterações de fala e linguagem podem ocorrer no TEA, mas não são incomuns a ponto de sustentar essa afirmação, e elas não definem sozinhas o transtorno.
- B)identificará se ocorrem explosões de raiva quando a rotina do paciente é alterada, pois nesses casos trata-se de transtorno disruptivo da desregulação do humor.
Errada, porque explosões de raiva com mudança de rotina não caracterizam transtorno disruptivo da desregulação do humor; isso pode aparecer no TEA, mas não é critério diagnóstico desse outro transtorno.
- C)indicará o ensino de novas habilidades para promover maior adaptação às relações sociais por meio do uso da metodologia ABA (análise do comportamento aplicada) que segue os princípios da terapia cognitiva.
Errada, porque ABA é uma metodologia baseada em análise do comportamento, não em princípios da terapia cognitiva, embora possa ser usada para ensino de habilidades no TEA.
- D)obterá informações junto à família e à escola para verificação do grau de dependência e gravidade, entre dois únicos níveis existentes, o de exigência de apoio ou de apoio substancial.
Errada, porque o TEA não é classificado em apenas dois níveis de apoio; o DSM-5 fala em níveis de suporte, e a avaliação não se limita a dependência e gravidade nesses termos.
- E)observará se há dificuldades persistentes na comunicação e na interação social em diferentes contextos e padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades, que prejudiquem o seu convívio social.
Certa, porque descreve os critérios centrais do TEA: dificuldades persistentes de comunicação e interação social em diferentes contextos, com padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades.
Gabarito: E
O TEA é um transtorno do neurodesenvolvimento em que o ponto central não é apenas um traço isolado, mas um conjunto de sinais que aparece cedo e impacta a vida social e funcional da pessoa. Em termos diagnósticos, o núcleo do quadro envolve dificuldades persistentes na comunicação e na interação social, somadas a padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades, com prejuízo no convívio social e no funcionamento diário. Na prática, o psicólogo precisa olhar para o comportamento em diferentes contextos, ouvir família e escola e observar como essas características se manifestam no cotidiano. Isso é bem alinhado aos critérios do DSM-5 e do DSM-5-TR, que descrevem exatamente esses dois grandes blocos: comunicação/interação social e comportamentos restritos e repetitivos. Não se trata de confundir TEA com “birra”, desobediência ou apenas problema de fala. É por isso que o gabarito é a letra E: ela descreve o núcleo diagnóstico do transtorno de forma correta e completa. O enunciado pede o que o psicólogo deve observar nesses casos, e a alternativa traz justamente os sinais essenciais que sustentam a suspeita clínica e a avaliação psicológica. As demais opções tentam puxar o tema para outros diagnósticos ou reduzem o TEA a uma característica só. Em concurso, essa é a pegadinha clássica: trocar o critério central do transtorno por um detalhe secundário ou por outro transtorno da infância.