Entre os materiais produzidos para debater os aspectos teóricos e metodológicos das vertentes de pensamento no campo da saúde mental e do trabalho, alguns argumentam que, apesar das diferenças entre modelos teóricos e conceituais, existe concordância sobre o impacto que isso tem no âmbito do estudo. Atente-se à descrição deste modelo relevante: seleciona, como elementos principais, a organização do trabalho e o sofrimento psíquico, logo torna proeminente o relato das vivências dos próprios trabalhadores com sua exposição sobre o trabalho, as emoções, sentimentos e reações por ele provocados. Ainda, nesta abordagem o sofrimento mental foi adotado como categoria de análise para demarcar um campo de investigação distinto dos modelos que adotam a doença mental como objeto superior de análise. Descreve-se o modelo ou abordagem conhecido como:
- A)Teoria do estresse ocupacional.
Errada: a teoria do estresse ocupacional foca nas respostas de estresse e nos fatores estressores, mas não é a abordagem descrita no enunciado.
- B)Ergonomia laboral.
Errada: a ergonomia laboral analisa a adaptação entre trabalho, tarefa e capacidades humanas, mas não tem como eixo principal o sofrimento psíquico subjetivo.
- C)Psicodinâmica do trabalho.
Correta: a psicodinâmica do trabalho privilegia a organização do trabalho, o sofrimento psíquico e o relato das vivências dos trabalhadores.
- D)De base diagnóstica.
Errada: uma abordagem de base diagnóstica tende a priorizar classificação e identificação de quadros, não a experiência subjetiva no trabalho.
- E)De base epidemiológica.
Errada: uma abordagem de base epidemiológica busca padrões e frequências em populações, mas não o estudo clínico-subjetivo do sofrimento no trabalho.
Gabarito: C
A questão descreve a Psicodinâmica do Trabalho, abordagem muito ligada a Christophe Dejours. O foco aqui não é apenas medir adoecimento, mas entender como a organização do trabalho mexe com a vida psíquica do trabalhador, produzindo sofrimento, prazer, defesas e estratégias de enfrentamento. É aquele olhar que pergunta: como o trabalho é vivido por quem o executa, e não só como ele aparece em números ou diagnósticos. O ponto central dessa vertente é justamente a relação entre organização do trabalho e sofrimento psíquico. Por isso, ela valoriza o relato das experiências concretas dos trabalhadores, suas emoções, sentimentos, conflitos e reações diante das exigências do trabalho. Em vez de tratar a doença mental como único objeto, a abordagem amplia o olhar para o sofrimento mental como categoria de análise. Isso ajuda a compreender o trabalho como fonte tanto de adoecimento quanto de realização. É por isso que o gabarito é a letra C. A descrição bate direitinho com a Psicodinâmica do Trabalho: escuta da experiência subjetiva, análise da organização do trabalho e atenção ao sofrimento psíquico produzido no cotidiano laboral. Em termos doutrinários, essa é a marca clássica da proposta de Dejours, muito cobrada em Psicologia do Trabalho e Organizacional. As outras alternativas tentam te puxar para áreas próximas, mas com outra lógica. Aqui a banca quer saber se você reconhece a abordagem que coloca o sujeito trabalhador no centro da análise, como quem diz: não basta olhar o crachá, é preciso ouvir a pessoa por trás dele.