Leia o texto a seguir. Perguntar por sofrimento e por felicidade no estudo da exclusão é superar a concepção de que a preocupação do pobre é unicamente a sobrevivência e que não tem justificativa trabalhar a emoção quando se passa fome. Epistemologicamente, significa colocar no centro das reflexões sobre exclusão, a ideia de humanidade e como temática o sujeito e a maneira como se relaciona com o social (família, trabalho, lazer e sociedade), de forma que, ao falar de exclusão, fala-se sobre desejo, temporalidade e de afetividade, ao mesmo tempo que de poder, de economia e de direitos sociais. BADER, S. (Org.) As artimanhas da exclusão: análise psicossocial e ética da exclusão. Petrópolis: Vozes, 2002. Qual é a importância da dimensão do sofrimento ético-político nas discussões sobre exclusão/marginalização social?
- A)Recuperar o indivíduo perdido nas análises econômicas e políticas, sem perder o coletivo, além de dar forças ao sujeito, sem tirar a responsabilidade do Estado, pois é no sujeito, quem sofre, que se objetivam as várias formas de exclusão, deixando marcas subjetivas.
Correta, porque articula sujeito e contexto social, reconhece as marcas subjetivas da exclusão e mantém a responsabilidade estatal pelo enfrentamento das desigualdades.
- B)Implicar, para a Psicologia, uma abertura epistemológica que permite avançar a investigação da exclusão por uma vertente característica da psicologia, separando-a, assim, da contribuição teórica já apresentada por outras áreas, como a Sociologia e a Antropologia.
Errada, porque não se trata de isolar a Psicologia das outras áreas, mas de dialogar com elas para compreender a exclusão em sua dimensão social e subjetiva.
- C)Possibilitar, por meio uma torção da teoria clássica dos afetos, a inclusão na discussão sobre exclusão/marginalização, historicamente centrada na pobreza, e sobre a dimensão política de raça e gênero, ampliando a possibilidade de investigação sobre os processos de exclusão.
Errada, porque desloca o foco para uma discussão teórica sobre afetos, raça e gênero que não expressa com precisão a noção de sofrimento ético-político apresentada no texto.
- D)Promover a capacidade de gerar comoção social e identificação com sujeitos que outrora eram vistos como diferentes e segregados. O caráter de humanização advindo do sofrimento ganha tônica a partir de então.
Errada, porque reduz o tema a comoção e humanização, quando a questão central é a análise crítica das marcas subjetivas da exclusão e de sua dimensão política.
Gabarito: A
A ideia de sofrimento ético-político vem da Psicologia Social crítica e ajuda a olhar a exclusão para além da falta de renda ou de emprego. O ponto central é que a exclusão social não atinge só o bolso: ela fere a dignidade, produz humilhação, vergonha, impotência e marca o sujeito na sua relação com a família, o trabalho, a cidade e os direitos. Na prática, isso significa recolocar a pessoa no centro da análise sem apagar o contexto social e político. Não é para cair no erro de achar que tudo é “culpa individual”, nem para esquecer que o sofrimento nasce em relações desiguais e em formas concretas de violência social. O sujeito sofre, mas esse sofrimento tem origem e expressão social. Por isso, a importância dessa dimensão é justamente mostrar que exclusão e marginalização produzem efeitos subjetivos reais, que não podem ser vistos como detalhe emocional. Eles revelam como a desigualdade se infiltra na vida cotidiana e deixa marcas na identidade, no desejo e na participação social. O gabarito A está correto porque resume bem essa ideia: recupera o indivíduo sem perder o coletivo, reconhece as marcas subjetivas da exclusão e não retira do Estado a responsabilidade por enfrentar as desigualdades. É a leitura mais fiel ao enfoque ético-político do tema.