Danilevicz (2020) afirma que o uso popular de plantas com fins terapêuticos pela população mundial é de 70% a 90% e, no Brasil, 82% da população utiliza conhecimentos indígenas, quilombolas e científicos para administrar fitoterápicos no cotidiano. Esse conhecimento transgeracional incentiva o desenvolvimento comunitário, a solidariedade e a participação social na saúde. O uso de fitoterápicos contribui para revitalizar o conhecimento tradicional das comunidades sobre as plantas medicinais, intensificando vínculos de corresponsabilização e valorizando saberes ancestrais e territoriais. Nesse sentido é INCORRETO afirmar que:
- A)A horta comunitária constituiu um dispositivo potente para o encontro de usuários da USF.
Correta, porque a horta comunitária pode funcionar como espaço de encontro, convivência e fortalecimento do vínculo entre usuários e unidade de saúde.
- B)Promove o acompanhamento terapêutico e construção de vínculos.
Correta, pois essas práticas favorecem o acompanhamento terapêutico, a escuta e a construção de vínculos de cuidado.
- C)Contribui na redução do consumo de medicações alopáticas.
Correta, já que o uso racional de fitoterápicos pode, em alguns casos, complementar o tratamento e diminuir a dependência exclusiva de medicamentos alopáticos.
- D)O cultivo de plantas medicinais e a produção de legumes e frutas para alimentação não é uma atividade que promove a saúde mental.
Errada, porque o cultivo de plantas medicinais e alimentos na comunidade pode sim promover saúde mental, socialização, sentido de pertencimento e bem-estar.
Gabarito: D
A questão trata do uso de plantas medicinais e fitoterápicos como prática de saúde comunitária, algo muito ligado à Psicologia da Saúde e à promoção do cuidado integral. Quando a comunidade se envolve em horta, cultivo e troca de saberes, não está só produzindo remédio ou alimento: está fortalecendo vínculos, pertencimento, autonomia e participação social. Isso ajuda a aproximar usuários, equipe de saúde e território, com efeitos positivos também no bem-estar emocional. Na prática, iniciativas como hortas comunitárias e espaços de cultivo costumam funcionar como dispositivos de encontro e cuidado. Elas favorecem o acompanhamento terapêutico, a escuta, a corresponsabilização e até podem estimular hábitos mais saudáveis, reduzindo a dependência exclusiva de medicações alopáticas em alguns contextos, sempre com orientação profissional. Em políticas públicas de saúde, essa lógica conversa com a promoção da saúde e com o respeito aos saberes tradicionais. O ponto errado está na alternativa D, porque ela afirma que o cultivo de plantas medicinais e de alimentos não promove a saúde mental. Na verdade, esse tipo de atividade costuma ter efeitos justamente opostos: melhora interação social, senso de utilidade, vínculo com a comunidade e contato com a natureza, elementos associados ao bem-estar psíquico. Então, a banca quer que você perceba que a frase nega um benefício que é reconhecido na literatura e nas práticas de promoção da saúde. Em resumo: quando a questão fala de horta comunitária, fitoterapia e saberes ancestrais, pense em cuidado ampliado, território e saúde mental coletiva. Parece assunto de planta, mas é também assunto de gente, vínculo e qualidade de vida.