Em Gestalt-terapia, para a atuação profissional, é fundamental compreender a relação dialógica. Assinale a alternativa que apresenta corretamente as características dessa relação.
- A)O terapeuta assume um papel de autoridade e guia o paciente nas sessões, evidenciando hierarquia entre terapeuta e paciente.
Errada, porque a Gestalt-terapia não trabalha com hierarquia rígida nem com o terapeuta como autoridade que guia o paciente de forma unilateral.
- B)A interação entre terapeuta e paciente é genuína, há influência mútua e autenticidade, ambas essenciais para o processo terapêutico.
Certa, pois a relação dialógica envolve encontro genuíno, autenticidade e influência mútua entre terapeuta e cliente.
- C)O terapeuta, pautado na necessidade de neutralidade emocional, observa o paciente de maneira distante para manter a objetividade no processo terapêutico.
Errada, porque a postura distante e excessivamente neutra não combina com a presença implicada e o contato autêntico valorizados na Gestalt-terapia.
- D)A análise dos sonhos e fantasias do paciente funcionam como recursos lúdicos no processo terapêutico, sendo utilizados no enriquecimento da relação dialógica e plena com o terapeuta.
Errada, porque análise de sonhos e fantasias como eixo da técnica remete mais a outras abordagens, e não define a relação dialógica da Gestalt-terapia.
Gabarito: B
Na Gestalt-terapia, a relação entre terapeuta e cliente não é de comando, nem de distanciamento frio. Ela é construída no encontro, com presença, autenticidade e troca real entre as duas pessoas. O foco não está em um profissional que "conserta" o outro, mas em uma relação viva, em que ambos se afetam no aqui e agora. Quando a banca fala em relação dialógica, pense em diálogo de verdade: o terapeuta está disponível, implicado e atento, sem esconder sua humanidade por trás de uma postura mecânica. Isso não significa perder o papel profissional, mas sim usar esse papel com autenticidade e responsabilidade. Em Gestalt, o encontro tem valor terapêutico por si só. Por isso, a alternativa B está correta: ela descreve exatamente a interação genuína, a influência mútua e a autenticidade, que são marcas centrais da abordagem gestáltica. A ideia combina com autores da Gestalt-terapia, como Perls, Goodman e Hefferline, e com a noção de encontro dialógico desenvolvida também por Buber, muito associada a essa abordagem. As demais opções caem em modelos mais hierárquicos, mais neutros ou com técnicas que não são o coração da relação dialógica. Em prova, sempre desconfie quando a questão tenta transformar a Gestalt em terapia "de especialista distante". Aqui, o centro é o encontro humano, não a bancada do juiz.