Durante um atendimento psicológico, a psicóloga acompanhou uma mulher cisgênero que relatou sofrer violência psicológica em seu relacionamento conjugal. Essa psicóloga percebeu que a cliente demonstrava grande dificuldade em romper o vínculo abusivo devido à dependência financeira. Além disso, expressou receio de ser julgada e patologizada por sua situação. De acordo com a Resolução CFP nº 8/2020, a psicóloga, nesse caso, deverá:
- A)Informar diretamente a rede de proteção local sobre a situação da cliente, sem consultá-la, para acelerar a intervenção.
Errada, porque comunicar a rede sem consentimento e sem avaliar o caso com a cliente desrespeita sua autonomia e pode aumentar a sensação de exposição e revitimização.
- B)Promover um ambiente acolhedor, buscando fortalecer a autonomia da cliente e evitar qualquer forma de estigmatização ou revitimização.
Certa, porque a Resolução CFP nº 8/2020 orienta acolhimento, fortalecimento da autonomia e rejeição de qualquer forma de estigmatização ou revitimização.
- C)Conduzir a cliente a reconhecer sua dependência emocional e financeira como uma patologia que precisa ser tratada com intervenção médica.
Errada, porque dependência emocional e financeira não devem ser tratadas como patologia, e sim compreendidas no contexto de violência e vulnerabilidade.
- D)Priorizar intervenções técnicas que incentivem a cliente a denunciar a violência imediatamente, independentemente de seus receios ou contexto social.
Errada, porque a psicóloga não deve impor denúncia imediata nem ignorar o contexto social e emocional da cliente, devendo respeitar seu tempo e sua segurança.
Gabarito: B
A Resolução CFP nº 8/2020 orienta a atuação da psicologia em situações de violência contra mulheres com foco em direitos humanos, acolhimento e não discriminação. Em vez de tratar a pessoa como problema, a psicóloga deve construir um espaço seguro, escutar sem julgamento e respeitar o tempo e as escolhas da cliente. Isso faz toda a diferença quando há dependência financeira, medo e sensação de prisão no vínculo abusivo. Nesses casos, a intervenção não é empurrar a pessoa para uma decisão imediata, mas fortalecer sua autonomia e sua rede de apoio, sem pressionar, culpar ou patologizar. A ideia é evitar qualquer forma de revitimização, isto é, repetir no atendimento a violência simbólica que a cliente já sofre no relacionamento e na sociedade. Por isso, o gabarito é a letra B. Ela traduz exatamente o que a resolução busca: postura acolhedora, respeito à singularidade da mulher e atuação ética para não reproduzir estigmas. A psicóloga não deve transformar vulnerabilidade social em diagnóstico moral ou clínico, nem agir como se a saída do relacionamento fosse simples e automática. Em resumo: na violência psicológica, o papel da psicóloga é proteger, escutar e fortalecer, e não julgar, rotular ou apressar decisões.