João, engenheiro, 30 anos, procurou terapia porque estava se sentindo perdido e insatisfeito com a vida. Ele tinha um bom emprego, mas sentia que algo estava lhe faltando e não conseguia encontrar um propósito ou significado em sua vida. Durante as sessões, foi encorajado a explorar suas emoções, pensamentos e experiências de vida; foi incentivado a refletir sobre suas escolhas passadas e a considerar como elas afetaram sua situação atual. O terapeuta também o ajudou a identificar seus valores e a explorar possíveis caminhos para encontrar um propósito na vida. Mediante o caso hipotético e, ainda, no âmbito das teorias e técnicas psicoterápicas, é correto afirmar que a abordagem terapêutica feita com João:
- A)Se pautou na abordagem cultural-humanista para ajudar o paciente a explorar seus sentimentos de insatisfação e buscar um sentido para a sua vida.
Errada, porque "cultural-humanista" não caracteriza com precisão a técnica descrita, que é muito mais ligada à busca de sentido, valores e responsabilidade existencial.
- B)Consistiu na Gestalt-terapia, visto que essa abordagem se concentra em abordar angústias e vivências sem sentido visando à consciência e autonomia para fazer escolhas com novos propósitos.
Errada, porque a Gestalt-terapia valoriza awareness e contato com o aqui-agora, mas a descrição do caso aponta mais diretamente para sentido da vida e escolhas existenciais.
- C)Consistiu na abordagem existencial-humanista porque enfatizou a importância da responsabilidade pessoal e incentivou o paciente a fazer escolhas que estivessem alinhadas com seus valores e desejos autênticos.
Certa, porque a abordagem existencial-humanista trabalha responsabilidade pessoal, autenticidade, valores e construção de sentido, exatamente como aparece no caso.
- D)Se pautou na terapia humanista centrada na pessoa de Abraham Maslow, que orientou o paciente a satisfazer suas necessidades básicas de pertença e segurança afetiva para alcançar um sentido para a sua vida.
Errada, porque confunde autores e conceitos: a terapia centrada na pessoa é de Rogers, não de Maslow, e a descrição não se limita à satisfação de necessidades básicas.
Gabarito: C
O caso descreve uma terapia voltada para sentido de vida, escolhas, valores e responsabilidade pessoal. Isso é bem típico das abordagens existencial-humanistas, que entendem que o sofrimento muitas vezes aparece quando a pessoa se distancia de seus próprios valores, de sua autenticidade e do modo como quer conduzir a própria existência. Em vez de focar só em sintomas, a conversa gira em torno de quem você é, do que faz sentido para você e do que você quer construir daqui para frente. Na prática, o terapeuta ajuda o paciente a olhar para suas experiências, reconhecer suas escolhas passadas e perceber como elas influenciam o presente. Esse movimento de reflexão favorece autoconsciência e liberdade de escolha, ideias muito ligadas ao existencialismo e à clínica humanista. A lógica aqui não é "consertar" a pessoa, mas ampliar a compreensão sobre a própria vida, como quem ajusta o GPS interno antes de seguir viagem. Por isso, o gabarito C está correto: a abordagem existencial-humanista enfatiza responsabilidade pessoal, autenticidade e construção de sentido. O paciente é convidado a fazer escolhas coerentes com seus valores e desejos mais profundos, exatamente como o enunciado descreve. Só um cuidado importante para prova: a alternativa usa a expressão "terapia humanista centrada na pessoa de Abraham Maslow", mas isso está conceitualmente errado. A terapia centrada na pessoa é associada a Carl Rogers, enquanto Maslow é mais lembrado pela hierarquia das necessidades e pela autorrealização. A banca mistura os autores para testar se você está atento.