Para que um avaliador/perito psicológico realize uma perícia psicológica eficaz, é fundamental que ele seja capaz de integrar conhecimentos teóricos com habilidades práticas. Com base nessa afirmação, assinale a alternativa que descreve corretamente uma das competências.
- A)Aptidão para sobrepor a obtenção de resultados rápidos e favoráveis ao cliente contratante da perícia em detrimento dos aspectos éticos.
Errada, porque o perito não pode priorizar o interesse de quem contratou a perícia em prejuízo da ética e da imparcialidade.
- B)Habilidade para conduzir entrevistas estruturadas e aplicar testes psicológicos validados, garantindo a precisão e a validade das conclusões periciais.
Certa, porque entrevistar de forma estruturada e aplicar testes validados são competências centrais para uma conclusão pericial precisa e válida.
- C)Capacidade de realizar diagnósticos clínicos desprovidos da necessidade de instrumentos padronizados, confiando apenas na intuição e na observação.
Errada, porque a perícia psicológica não deve se apoiar apenas na intuição ou na observação, mas em métodos e instrumentos tecnicamente fundamentados.
- D)Experiência em adotar abordagens preponderantemente quantitativas, sob alegação de importância sobrepujada dos aspectos qualitativos na avaliação pericial.
Errada, porque a avaliação pericial não é baseada em um excesso de quantitativo nem em desvalorização do qualitativo; o ideal é integração metodológica.
- E)Competência em manusear dados apurados de testes para atender às expectativas das partes envolvidas na perícia, assegurando a subjetividade de uma avaliação.
Errada, porque o perito não deve ajustar dados para atender expectativas das partes, já que a perícia exige imparcialidade e rigor técnico.
Gabarito: B
Na perícia psicológica, não basta “ter feeling” ou boa conversa: voce precisa juntar teoria, técnica e ética para produzir uma análise confiável. Em Psicologia Jurídica, a atuação pericial exige método, imparcialidade e uso adequado de instrumentos, porque o objetivo não é agradar nenhuma das partes, mas responder tecnicamente ao que o processo pede. Por isso, uma competência central do avaliador/perito é saber conduzir entrevistas estruturadas e usar testes psicológicos validados. Isso ajuda a aumentar a precisão da avaliação, reduz o risco de impressões subjetivas e fortalece a validade das conclusões. Em outras palavras: a perícia boa não é a mais rápida, é a mais bem fundamentada. A alternativa B está correta justamente porque descreve essa habilidade técnica básica do perito: entrevistar de forma adequada e aplicar instrumentos psicológicos com respaldo científico. Em perícia, isso conversa com princípios éticos e com o uso responsável de métodos reconhecidos pelo CFP, sempre com foco na qualidade da conclusão e não em “chutar bonito”. As demais alternativas erram ao sugerir submissão ao contratante, desprezo por instrumentos padronizados, desprezo do aspecto qualitativo ou manipulação de dados para agradar os envolvidos. Em perícia psicológica, isso é tudo o que voce não quer fazer.