Segundo Cunha, o psicodiagnóstico é um processo desencadeado quase sempre em vista de um encaminhamento, que tem início numa consulta, a partir da qual se delineiam os passos do exame, que constitui uma das rotinas do psicólogo clínico. Considerando o psicodiagnóstico, analise o caso-dedutivo a seguir: Ana, psicóloga clínica, recebe em seu consultório Maria, genitora de Pedro, que tem quatro anos. Após realizar a entrevista inicial com Maria, aonde a genitora apresentou as demandas do filho para atendimento psicológico, Ana agendou para o próximo encontro o primeiro atendimento com a criança. Ana entendeu inicialmente que o objetivo da avaliação a ser realizada com a criança seria de uma avaliação psicológica clínica de prevenção. Sobre o processo do psicodiagnóstico e avaliação psicológica clínica de prevenção, é correto afirmar que:
- A)São investigadas irregularidades ou inconsistências do quadro sintomático, para diferenciar alternativas diagnósticas, níveis de funcionamento ou natureza da patologia.
Errada, porque descreve diagnóstico diferencial, com investigação de inconsistências para distinguir hipóteses clínicas e natureza da patologia.
- B)Procura identificar problemas precocemente, avaliar riscos, fazer uma estimativa de forças e fraquezas do ego, de sua capacidade para enfrentar situações novas, difíceis e estressantes.
Certa, pois define avaliação preventiva: identificação precoce de problemas, avaliação de riscos e das capacidades de enfrentamento do sujeito.
- C)O exame compara a amostra do comportamento do examinando com os resultados de outros sujeitos da população geral ou de grupos específicos, prevenindo prováveis riscos e fatores estressores.
Errada, porque fala em comparação com normas ou grupos de referência, algo típico da testagem psicológica, não da definição de prevenção clínica.
- D)Ultrapassa o objetivo de prevenção, por pressupor um nível mais elevado de inferência clínica, havendo uma integração de dados com base teórica. Permite chegar a aspectos comportamentais nem sempre acessíveis na entrevista.
Errada, pois aponta uma avaliação mais profunda e inferencial, própria de processos diagnósticos mais amplos, e não de prevenção.
- E)Fornece subsídios para questões relacionadas com a prevenção precoce em relação a “insanidades”, assim como competências para o exercício das funções de cidadão, avaliação de incapacidades ou patologias que podem se associar a outras doenças.
Errada, porque mistura linguagem de incapacidade, cidadania e outras finalidades avaliativas, fugindo do conceito de avaliação psicológica clínica de prevenção.
Gabarito: B
O psicodiagnóstico, na linha de Cunha, é um processo de investigação psicológica geralmente provocado por uma demanda ou encaminhamento, com começo em uma consulta e desenvolvimento por etapas. A ideia não é só “dar um nome” ao problema, mas entender o quadro, levantar hipóteses e decidir o melhor caminho de intervenção ou encaminhamento. Quando a banca fala em avaliação psicológica clínica de prevenção, ela está pensando em um trabalho voltado para identificar problemas cedo, antes que virem um quadro mais grave. Aqui, o foco é observar riscos, recursos pessoais e condições de enfrentamento da criança ou do paciente, como forças e fragilidades do ego diante de situações novas, difíceis ou estressantes. Por isso, o gabarito é a letra B. Ela descreve exatamente a lógica preventiva: detectar precocemente dificuldades, estimar riscos e entender como a pessoa lida com desafios. É a cara da avaliação clínica de prevenção, que busca intervir antes que o sofrimento se consolide ou se agrave. As outras alternativas misturam objetivos de outras modalidades de avaliação, como diagnóstico diferencial, uso de testes com comparação normativa ou uma leitura mais profunda e inferencial do funcionamento psíquico. A CONSULPLAN gosta bastante de trocar esses conceitos de lugar, então vale separar bem o que é prevenção, diagnóstico e inferência clínica.