O papel do terapeuta de orientação psicanalítica varia conforme a capacidade de simbolização do paciente. No paciente motivado e com maior capacidade de simbolização, o terapeuta tem a função de intérprete na compreensão dos conflitos inconscientes e nas suas respectivas manifestações clínicas. (CORDIOLI, A. V. Psicoterapias. Abordagens atuais. Porto Alegre: Artes Médicas, 2008. p. 608.) Sobre a psicoterapia de orientação psicanalítica, considere o texto a seguir: É nesse contexto de “expressão da mente através do corpo” que o terapeuta procura identificar os _______________, bem como os ___________________ e os traços de personalidade, com o objetivo de promover o ______________ desses conflitos com o nível do pensamento. Assinale a alternativa que completa correta e sequencialmente a afirmativa anterior.
- A)sintomas afetivos / conflitos subjacentes / amparo afetivo
Errada, porque sintomas afetivos e amparo afetivo não completam a lógica psicanalítica de investigação dos conflitos inconscientes e de seus mecanismos de defesa.
- B)sintomas afetivos / conflitos afetivos / mecanismo de defesa
Errada, porque a expressão adequada não é conflitos afetivos nem mecanismo de defesa no singular, e a proposta terapêutica vai além de uma simples identificação emocional.
- C)conflitos subjacentes / mecanismos de defesas / insight afetivo
Certa, porque a orientação psicanalítica busca identificar conflitos subjacentes, mecanismos de defesa e traços de personalidade para promover insight afetivo.
- D)mecanismos de defesas / insight afetivo / conflitos subjacentes
Errada, porque inverte a ordem lógica do enunciado e não faz sentido atribuir aos mecanismos de defesa o papel principal no lugar dos conflitos subjacentes.
- E)conflitos subjacentes / símbolos subjacentes / sintomas afetivos
Errada, porque símbolos subjacentes não é a formulação técnica esperada e sintomas afetivos não expressam o objetivo terapêutico da abordagem.
Gabarito: C
Na psicoterapia de orientação psicanalítica, a ideia central é ajudar o paciente a ligar aquilo que ele sente no corpo, no comportamento ou no sintoma aos conflitos inconscientes que estão por trás disso. Em vez de ficar só no alívio imediato, o terapeuta procura dar sentido ao que aparece como manifestação clínica. É como se ele ajudasse a montar o quebra-cabeça da vida psíquica do paciente. Quando o paciente tem boa motivação e maior capacidade de simbolização, ele consegue trabalhar melhor com interpretações. Nessa situação, o terapeuta atua como intérprete: observa os conflitos subjacentes, identifica os mecanismos de defesa e também considera os traços de personalidade. Tudo isso serve para aproximar esses conteúdos do nível do pensamento, favorecendo compreensão e elaboração psíquica. Por isso, o gabarito é a letra C. A frase fica coerente com a lógica psicanalítica: primeiro se buscam os conflitos subjacentes, depois os mecanismos de defesa, e o objetivo é produzir insight afetivo, isto é, ampliar a percepção emocional e intelectual sobre os conflitos. Esse é um ponto clássico das abordagens psicodinâmicas descritas na literatura de psicoterapia de orientação psicanalítica, como em Cordioli. Em resumo: o terapeuta não fica só olhando o sintoma isolado. Ele tenta entender o que está por trás dele e ajudar o paciente a transformar vivência difusa em compreensão simbólica. É a mente deixando de falar apenas pelo corpo e começando a falar também pelo pensamento.