A psicodinâmica do trabalho é uma abordagem que estuda as relações entre o trabalho e a saúde mental dos trabalhadores, alinhando prevenção, identificação de fatores de risco, inclusive, psicossociais do trabalho. Considerando a referida articulação, trata-se de uma abordagem que
- A)limita-se a descrever as situações de trabalho e os seus efeitos sobre a saúde mental dos trabalhadores, sem propor nenhuma mudança ou intervenção.
Errada, porque a psicodinâmica do trabalho não se limita a descrever a realidade laboral, já que também busca compreender e intervir nas relações entre trabalho, sofrimento e saúde mental.
- B)fundamenta-se na ergonomia, que é um método de análise e adaptação das condições físicas do trabalho, sem considerar as dimensões subjetivas e coletivas do trabalho.
Errada, porque ela não se restringe à ergonomia física nem ignora a subjetividade, ao contrário, considera fortemente as dimensões psíquicas e coletivas do trabalho.
- C)baseia-se na clínica do trabalho, devido à intervenção e investigação das vivências de prazer e de sofrimento, abrangendo os mecanismos de defesa e enfrentamento situações de trabalho.
Certa, porque a psicodinâmica do trabalho se articula à clínica do trabalho e analisa prazer, sofrimento, defesa e enfrentamento nas situações de trabalho.
- D)pauta-se na psicanálise, que é um método de tratamento individual que visa curar os sintomas psíquicos dos trabalhadores, sem considerar o contexto coletivo e organizacional do trabalho.
Errada, porque não se trata de psicanálise como tratamento individual isolado, mas de uma abordagem voltada ao contexto do trabalho, com foco também coletivo e organizacional.
Gabarito: C
A psicodinâmica do trabalho é uma abordagem voltada a entender como a organização do trabalho mexe com a saúde mental, produzindo prazer, sofrimento, estratégias de defesa e formas de enfrentamento. Ela não olha o trabalho só como tarefa técnica, mas também como experiência humana, subjetiva e coletiva. Em outras palavras, interessa saber como a pessoa vive o trabalho por dentro, e não apenas o que ela faz por fora. Na prática, essa abordagem dialoga fortemente com a clínica do trabalho, porque investiga as vivências concretas dos trabalhadores, especialmente os pontos de prazer e sofrimento, além dos mecanismos que eles criam para suportar a realidade laboral. Isso ajuda a identificar riscos psicossociais e pensar em prevenção e intervenção, e não apenas em descrição do problema. Por isso, o gabarito é a letra C. Ela acerta ao dizer que a psicodinâmica do trabalho se baseia na clínica do trabalho e foca na intervenção e investigação das vivências de prazer e sofrimento, incluindo mecanismos de defesa e enfrentamento. Esse é justamente o coração da proposta teórica associada a Christophe Dejours, referência clássica no tema. As demais alternativas tentam reduzir a abordagem a algo mais estreito, como mera descrição, ergonomia física ou tratamento individual. E aí a banca costuma fazer esse jogo: pega um conceito amplo e tenta encolher ele até caber numa definição torta.