O diagnóstico psicopedagógico é um instrumento que investiga os elementos que se interpõem no processo de aprendizagem do sujeito, o qual podemos pensar como um sujeito aprendente que não está fixo num espaço e lugar. Ele está aqui, está lá, ou seja, encontra-se num espaço atemporal, dimensional e existencial, permeado de suposições sobre o eu orgânico, o eu emocional, o eu mental, o eu psíquico. Impressões que são mediatizadas pelo outro – a família, a escola, a religião, o estado – e transformadas em mitos, meias-verdades refletidas nos espelhos das verdades do outro, espaços do eu que por vezes são intangíveis, mas que de alguma forma são organizados pelas estruturas cognitivas. (Carvalho, 2007.) O transtorno de aprendizagem é uma perturbação no processo de aprendizagem, não permitindo ao indivíduo aproveitar as suas possibilidades para perceber, compreender, reter na memória e utilizar posteriormente as informações obtidas. Num enfoque psicopedagógico, encaramos os transtornos de aprendizagem como um sintoma, um sinal de descompensação, no sentido de que não são permanentes, sendo passíveis de transformação. (Sampaio, 2003.) Considerando o papel inicial do psicopedagogo frente às dificuldades de aprendizagem ao fazer uma análise da situação para poder diagnosticar os problemas e suas causas, NÃO se trata de uma ação diagnóstica do psicopedagogo, quando
- A)levanta hipóteses através da análise de sintomas que o indivíduo apresenta, ouvindo a sua queixa, a queixa da família e da escola.
Está certa, porque levantar hipóteses a partir dos sintomas e das queixas da família e da escola faz parte do processo diagnóstico psicopedagógico.
- B)conhece o sujeito em seus aspectos neurofisiológicos, afetivos, cognitivos e sociais, bem como entende a modalidade de aprendizagem do sujeito e o vínculo que o indivíduo estabelece com o objeto de aprendizagem, consigo mesmo e com o outro.
Está certa, pois a avaliação diagnóstica considera dimensões neurofisiológicas, afetivas, cognitivas e sociais, além do vínculo do sujeito com a aprendizagem.
- C)compreende o indivíduo em suas várias dimensões para ajudá-lo a reencontrar seu caminho, superando dificuldades que impeçam um desenvolvimento harmônico e que estejam se constituindo num bloqueio da comunicação dele com o meio que o cerca.
Está certa, porque o diagnóstico psicopedagógico busca compreender o sujeito de forma ampla para identificar bloqueios e dificuldades no processo de aprender.
- D)realiza estratégias que visam à recuperação de conteúdos escolares avaliados como deficitários nos alunos, através da proposta de atividades como brincadeiras, jogos de regras e dramatizações, com o objetivo de promover a plena expressão dos afetos e o desenvolvimento da personalidade de crianças.
Está errada, porque descreve uma intervenção de recuperação e desenvolvimento, não uma ação diagnóstica inicial do psicopedagogo.
Gabarito: D
O diagnóstico psicopedagógico não é um momento de “dar aula de reforço”, nem de sair aplicando exercícios escolares em sequência. Ele serve para investigar como a dificuldade de aprendizagem aparece, de onde ela pode vir e quais fatores estão envolvidos: cognitivos, afetivos, sociais, familiares e escolares. Em outras palavras, primeiro você entende o caso; depois decide a melhor intervenção. Na prática, o psicopedagogo observa, entrevista, levanta hipóteses, analisa sintomas, escuta a queixa da família e da escola, e busca compreender a modalidade de aprendizagem do sujeito, seu vínculo com o saber, consigo mesmo e com os outros. Isso é bem coerente com a visão doutrinária clássica da psicopedagogia clínica, que trabalha a aprendizagem como um processo amplo e não como simples falta de conteúdo. Por isso, o gabarito é a letra D. Ela descreve uma ação de recuperação de conteúdos escolares e uso de atividades lúdicas para expressão afetiva e desenvolvimento da personalidade, o que se aproxima mais de intervenção/reeducação ou até de proposta pedagógica terapêutica, mas não da análise inicial diagnóstica. Diagnóstico é investigação; recuperação é etapa posterior. O psicopedagogo até pode usar jogos e dramatizações no processo, mas não com o foco de “repassar conteúdo deficitário” como ação diagnóstica. Em resumo: se a questão pede o que NÃO é diagnóstico, desconfie de alternativas que falem em reforço, recuperação de conteúdo ou aplicação de atividades com cara de intervenção direta. Diagnosticar é compreender o problema antes de tentar corrigi-lo.