Carla é uma mulher de 35 anos que busca psicoterapia por se sentir angustiada, ansiosa e insatisfeita com sua vida profissional e afetiva. Ela relata que tem dificuldade em tomar decisões, que se sente dependente da aprovação dos outros e que tem medo de se expor e se arriscar. Refere, também, que gostaria de ser mais assertiva, confiante e feliz, mas não sabe como mudar sua forma de ser. De acordo com a Terapia Centrada na Pessoa, qual seria o objetivo da psicoterapia para Carla?
- A)Liberar sua tendência atualizante, ou seja, sua capacidade inata de crescer, se desenvolver e se realizar plenamente, seguindo sua própria direção e seus próprios valores
Certa: expressa a tendência atualizante, que é o núcleo da Terapia Centrada na Pessoa.
- B)Receber empatia do terapeuta, compreensão profunda e sensível de sua experiência subjetiva, sem julgamentos ou interpretações, a ajudando a se conhecer melhor e a aceitar-se como é.
Errada: empatia é uma condição terapêutica importante, mas não é o objetivo final da psicoterapia.
- C)Desenvolver a congruência entre seu self real e seu self ideal, ou seja, a coerência entre o que ela é e o que ela gostaria de ser, reduzindo discrepâncias e conflito interno que geram angústia e ansiedade.
Errada: congruência é um conceito rogeriano, porém aqui ela aparece como meta principal de forma mais próxima da psicologia do self do que do enunciado pedido.
- D)Superar as condições de valor que foram impostas pelos outros, ou seja, as exigências e expectativas que ela precisa atender para se sentir aceita e amada, e que a impedem de expressar sua verdadeira natureza e seus sentimentos.
Errada: condições de मूल्य/valor são algo a ser superado ou ressignificado, mas a alternativa descreve mais um obstáculo do que o objetivo central da terapia.
Gabarito: A
Na Terapia Centrada na Pessoa, de Carl Rogers, a ideia central é que o ser humano tem uma tendência natural ao crescimento, à autonomia e à autorrealização. O papel da psicoterapia não é “consertar” a pessoa como se ela fosse um aparelho quebrado, mas criar um clima facilitador para que ela entre em contato com sua experiência, se aceite e encontre seus próprios caminhos. Parece simples, mas é poderoso: quando a pessoa deixa de viver só para agradar os outros, ela começa a viver com mais autenticidade. Nesse modelo, o terapeuta oferece empatia, aceitação incondicional e congruência, favorecendo um ambiente de segurança psicológica. Assim, a pessoa consegue reduzir defesas, se perceber melhor e se aproximar do que realmente sente e deseja. O foco não é dar conselhos prontos nem interpretar a vida do paciente por cima dela, e sim liberar o potencial interno que já existe. Por isso, o gabarito é a letra A. Carla não precisa de uma fórmula externa de felicidade, mas de condições para desenvolver sua própria capacidade de crescer, se desenvolver e se realizar, seguindo sua direção e seus valores. Em Rogers, isso é a tendência atualizante: uma força interna orientada ao desenvolvimento pleno da pessoa. Se você lembrar de uma frase-chave, guarde esta: na Terapia Centrada na Pessoa, o objetivo é facilitar o florescimento do próprio sujeito, não moldá-lo de fora para dentro. É quase um convite para a pessoa voltar para si mesma e parar de viver no modo “agradar a todos”.