Pedro é um jovem adulto que procura ajuda psicológica por se sentir ansioso, deprimido e insatisfeito com sua vida. Ele relata que tem dificuldade em se relacionar com as pessoas, que se sente inferior e inseguro, e que tem medo de fracassar em seus projetos. Afirma que gostaria de ser mais confiante, feliz e realizado, mas não sabe como mudar sua forma de pensar e agir. De acordo com a terapia cognitivo-comportamental, Pedro
- A)tem uma dificuldade em viver o momento presente, dado que ele não consegue se concentrar na sua experiência imediata e na sua autenticidade, se deixando conduzir por preocupações futuras e lembranças passadas.
Errada, porque descreve mais a abordagem humanista-existencial, com foco no presente, autenticidade e experiência imediata, e não a TCC.
- B)possui esquemas cognitivos disfuncionais rígidos e negativos sobre si mesmo, os outros e os demais contextos em geral, os quais são formados na infância e influenciam sua percepção e interpretação da realidade vivenciada.
Certa, pois a TCC entende que crenças e esquemas cognitivos disfuncionais, formados ao longo da vida, influenciam a forma como Pedro interpreta a realidade.
- C)está em um processo de individuação incompleto, visto que ele não conseguiu desenvolver sua personalidade de forma plena e integrada, expressando seus potenciais e valores, e se mantém preso a padrões coletivos e inconscientes.
Errada, porque fala em individuação, integração da personalidade e inconsciente coletivo, ideias típicas da psicologia analítica de Jung.
- D)tende a uma transferência negativa, por projetar no terapeuta e nas outras pessoas sentimentos e expectativas que foram originados em suas relações passadas, especialmente, com seus pais, e que dificultam sua comunicação e vínculo.
Errada, porque transferência e projeções ligadas a relações passadas são conceitos da psicanálise, não o núcleo explicativo da TCC.
Gabarito: B
Na terapia cognitivo-comportamental (TCC), a ideia central é simples: o que afeta muito a emoção e o comportamento não é só o que acontece, mas principalmente a forma como a pessoa interpreta o que acontece. Se a interpretação vem carregada de medo, desvalor e fracasso, a vida começa a parecer mais pesada do que realmente é. É por isso que a TCC trabalha bastante com pensamentos automáticos, crenças e esquemas, ajudando a pessoa a perceber e testar essas leituras distorcidas da realidade. No caso de Pedro, aparecem sinais clássicos de um padrão cognitivo negativo: ele se sente inferior, inseguro, ansioso, deprimido e teme fracassar. Isso combina com a noção de esquemas cognitivos disfuncionais, que são estruturas mais profundas e estáveis de pensamento, geralmente formadas ao longo do desenvolvimento, especialmente na infância, e que influenciam a maneira como a pessoa percebe a si mesma, os outros e o mundo. Por isso, o gabarito é a letra B. Ela descreve exatamente essa base da TCC, muito próxima da formulação de Aaron Beck: visões negativas sobre si, o mundo e o futuro, associadas a interpretações automáticas e crenças rígidas. Em termos práticos, é como se a mente de Pedro tivesse criado um filtro que transforma desafios em ameaça e erros em prova de incapacidade. As demais alternativas misturam outras abordagens psicoterápicas. A TCC não explica o caso por falta de autenticidade no presente, nem por individuação incompleta, nem por transferência negativa como eixo principal. Essas ideias pertencem a outras linhas, então aqui o candidato precisa fazer a clássica triagem: cada escola na sua caixinha, sem confundir os conceitos.