Todo o processo de adoecimento implica no aparecimento de numerosos e importantes estressores tanto físicos quanto psicológicos e, muitas vezes, o impacto causado por um tratamento na qualidade de vida da pessoa e de seus familiares é enorme. O fato de adoecer pode ser considerado como uma experiência muito desorganizadora e assustadora e faz o sujeito repensar em diversos aspectos de sua vida. Dessa forma,
- A)não faz nenhuma diferença a maneira como cada pessoa convive com as adversidades do processo de adoecimento, pois já possui, em seu interior, mecanismos específicos de enfrentamento da situação.
Errada, porque as pessoas não convivem de forma igual com o adoecimento; há diferenças individuais, sociais e emocionais no enfrentamento.
- B)a influência que o adoecimento exerce na vida de cada um é única, pois independente dos fatores sociais; pessoais; das convicções culturais; e, do meio em que o sujeito vive, este processo será sempre unilateral.
Errada, pois o adoecimento sofre influência dos fatores sociais, pessoais e culturais, então não é um processo unilateral e independente do contexto.
- C)encarar o processo de adoecimento como um desafio negativo contribui para o maior controle da situação através do censo crítico e realista que reflete em menor sofrimento diante de falsas expectativas e esperanças.
Errada, porque tratar o adoecimento como desafio negativo não garante maior controle e, além disso, sofrimento e esperança não se resumem a uma lógica de simples realismo.
- D)além de uma dor física que possa sentir, o sujeito percebe-se atordoado pela dor psíquica e emocional, que passa a ser entendida pela perda da saúde ou das condições de alguém sadio, o que o leva a pensar na finitude do seu ser, na possibilidade de morrer.
Certa, porque reconhece a dor física e a dor psíquica do adoecer, além do impacto emocional ligado à perda da saúde e ao medo da finitude.
Gabarito: D
Quando uma pessoa adoece, não acontece só uma alteração no corpo. O processo de adoecimento costuma mexer com rotina, identidade, autonomia, expectativas e relações familiares, trazendo estresse físico e também sofrimento emocional. Por isso, a Psicologia olha para a doença de forma ampliada: não basta ver o sintoma, é preciso considerar como o sujeito interpreta essa experiência e quais recursos tem para enfrentá-la. Nesse contexto, a resposta emocional pode incluir medo, insegurança, tristeza e sensação de perda. A pessoa muitas vezes se vê confrontada com a fragilidade do corpo e com a ideia de que a saúde, que parecia garantida, pode não ser permanente. Isso gera impacto psíquico importante, porque adoecer também significa lidar com limites, incertezas e mudanças de projeto de vida. É exatamente isso que a alternativa D descreve: além da dor física, surge a dor psíquica e emocional, ligada à perda da condição de alguém sadio e à reflexão sobre a finitude, inclusive a possibilidade de morrer. Essa leitura está bem alinhada com a visão biopsicossocial da saúde, adotada na psicologia da saúde e também coerente com a concepção ampliada de saúde da OMS, que não se reduz à ausência de doença. As demais alternativas tentam simplificar demais o fenômeno, como se todo mundo reagisse igual ou como se o adoecimento fosse apenas um processo racional e controlável. Na prática, cada sujeito vive esse processo de modo singular, influenciado por história, vínculos, cultura e rede de apoio.