Luiza é uma psicóloga que está realizando uma pesquisa sobre o processo de mudança em psicoterapia psicodinâmica breve. Ela utiliza o Psychotherapy Process Q-Set (PQS), para avaliar as sessões de um caso clínico bem-sucedido, que apresentava queixas depressivas e sintomas somáticos, visto que ela quer identificar quais foram os fatores que contribuíram para a melhora da paciente e como eles se relacionaram com o curso do tratamento. De acordo com o processo de uma psicoterapia breve, o procedimento metodológico que Luiza deve seguir para alcançar seu objetivo será:
- A)Agrupar os itens do PQS em categorias temáticas e analisar a frequência e a distribuição dessas categorias ao longo das sessões.
Errada, porque agrupar itens em categorias temáticas não é o procedimento típico do PQS para analisar mudança ao longo das sessões.
- B)Calcular as médias dos 100 itens do PQS em todo o tratamento e ordená-las para identificar os itens mais e menos característicos do processo.
Errada, porque tirar a média global dos itens apaga a evolução temporal do processo terapêutico, que é exatamente o que se quer investigar.
- C)Correlacionar os itens do PQS com o número da sessão para examinar quais as variáveis da terapeuta, da paciente e da interação se modificaram no transcorrer do tratamento.
Certa, porque correlaciona os itens do PQS com a sequência das sessões, permitindo observar como terapeuta, paciente e interação se modificam durante o tratamento.
- D)Comparar os itens do PQS com os critérios de avaliação da terapeuta e da paciente para verificar o grau de concordância entre as percepções dos participantes sobre o processo.
Errada, porque o PQS não é usado, nesse caso, para comparar percepções da terapeuta e da paciente por critérios de concordância, e sim para descrever o processo clínico.
Gabarito: C
O Psychotherapy Process Q-Set (PQS) é um instrumento usado para descrever o processo da psicoterapia com base em itens que captam características da paciente, da terapeuta e da interação entre ambas. A ideia é transformar a sessão em dados observáveis, permitindo comparar o que acontece ao longo do tratamento sem depender só de impressão subjetiva. Em psicoterapia psicodinâmica breve, isso é especialmente útil porque o foco está em entender como o processo muda em pouco tempo e quais elementos se associam à melhora. Então, se a pesquisadora quer descobrir quais fatores contribuíram para a evolução clínica e como eles se relacionaram com o curso do tratamento, ela precisa observar a variação desses itens ao longo das sessões. Por isso, o procedimento correto é correlacionar os itens do PQS com o número da sessão. Assim, é possível verificar que aspectos da terapeuta, da paciente e da interação vão se modificando no decorrer do tratamento, identificando padrões de mudança e possíveis momentos decisivos do processo. As outras opções até parecem sofisticadas, mas desviam do objetivo do PQS: ele não serve, aqui, para fazer apenas categorias temáticas ou médias gerais soltas. O ponto central é justamente acompanhar a evolução sessão a sessão. Esse uso é compatível com a lógica de estudo de processo em psicoterapia breve, amplamente descrita na literatura clínica e de pesquisa em psicoterapia.