Carlos Henrique é um estudante de psicologia que está aprendendo sobre a teoria dos construtos pessoais de George Kelly. Ele se interessa pelo tema e decide aplicar alguns dos conceitos em sua própria vida. Ao fazer isso, ele percebe que tem algumas construções pessoais que o ajudam a interpretar o mundo, mas também outras que o limitam e o impedem de se adaptar a novas situações. Diante dessa contatação, Carlos Henrique decide testar e revisar algumas de suas construções, buscando ampliar seu repertório e sua flexibilidade cognitiva. De acordo com a teoria de Kelly, entre os seguintes corolários, aquele que explica melhor e mais corretamente o comportamento de João trata-se do corolário da:
- A)Individualidade, o qual demonstra que João tem um sistema de construções único e diferente de outras pessoas.
Errada, porque a individualidade afirma que cada pessoa interpreta os eventos de forma única, mas não explica a revisão dos construtos diante de novas experiências.
- B)Fragmentação, que evidencia a presença de construções incompatíveis entre si e que geram conflitos internos em João.
Errada, porque fragmentação envolve construtos que podem ser aplicados de modo contraditório em contextos diferentes, e não a simples adaptação flexível descrita no enunciado.
- C)Construção, demonstrando que João usa o pensamento abstrato para construir modelos mentais da realidade e com eles prever eventos.
Errada, porque o corolário da construção se relaciona à antecipação de eventos com base em experiências passadas, mas não destaca a modificação dos construtos quando eles falham.
- D)Modulação, por meio do qual João é capaz de modificar suas construções diante de novas experiências que contradizem suas expectativas.
Certa, porque a modulação é justamente a capacidade de alterar os construtos pessoais quando novas experiências mostram que eles precisam ser ajustados.
Gabarito: D
George Kelly via o ser humano como alguém que interpreta a realidade o tempo todo, quase como um “cientista” da própria vida. Para ele, cada pessoa cria construtos pessoais, ou seja, pares de interpretação que ajudam a prever o que vai acontecer e a dar sentido às experiências. O problema é que, quando a realidade muda, alguns desses construtos deixam de funcionar tão bem e a pessoa precisa revisar o jeito de pensar. É exatamente isso que o enunciado descreve: Carlos Henrique percebe que certas construções pessoais já não estão ajudando e decide testá-las, ajustá-las e ampliar sua flexibilidade. Em Kelly, isso corresponde ao corolário da modulação, que diz que o sistema de construtos pode ser modificado quando a experiência mostra que as previsões antigas não dão mais conta da situação. Em outras palavras, a pessoa não fica “presa” ao que sempre pensou. Ela compara, testa, corrige e reorganiza seus construtos conforme a experiência. É uma visão bem dinâmica da personalidade, e não uma visão engessada. Por isso, o gabarito é a letra D. As demais alternativas tentam misturar outros corolários da teoria, mas não descrevem essa capacidade de rever e adaptar construções diante de novas situações. Aqui, o foco é flexibilidade cognitiva, mudança de construtos e ajuste pela experiência, exatamente o núcleo da modulação.