Muito longe da ideia de que para obter uma resposta basta perguntar, todos os entrevistadores sabem que uma entrevista tem ritmos próprios; fases de desenvolvimento; paragens; e, retrocessos. Sabem, ainda, que, empiricamente, às vezes, um silêncio é mais indicado que uma nova pergunta e que para continuarem de forma bem-sucedida devem reformular ou esclarecer o que para trás ficou dito de uma forma atabalhoada que, às vezes, é útil sugerir um segundo sentido que foi aflorado ou implícito, e, outras vezes, é preciso desbloquear a tensão dizendo uma graça. (LEAL, 2010.) “Designamos por _____________ de entrevista, os processos utilizados para a obtenção de informação pertinente para os(as) _____________ da entrevista e teoria de entrevista os modelos conceituais que sustentam as direcionalidades, interpretações e também o privilégio de algumas _____________ de entrevista.” Sobre as entrevistas, assinale a afirmativa que completa correta e sequencialmente a afirmativa anterior.
- A)modelo / objetivos / teorias
Errada, porque “modelo” não é o termo usado para designar os processos de obtenção de informação na entrevista.
- B)técnica / objetivos / técnicas
Certa, porque a frase completa corretamente a ideia de técnica de entrevista, objetivos da entrevista e técnicas sustentadas por teoria.
- C)técnica / conteúdos / teorias
Errada, porque “conteúdos” não substitui adequadamente os objetivos da entrevista nem fecha o sentido do enunciado.
- D)teoria / substâncias / técnicas
Errada, porque “substâncias” não tem pertinência conceitual no tema e rompe totalmente a lógica da definição.
Gabarito: B
A questão cobra a distinção entre a parte mais prática da entrevista e o arcabouço conceitual que a sustenta. Em linguagem simples: a entrevista não é só “perguntar e ouvir”, porque ela tem técnica, ritmo, silêncio, retomadas e até ajustes finos conforme o entrevistado responde. Por isso, a doutrina em entrevistas psicológicas costuma separar o que é procedimento de coleta de informação do que é o modelo teórico que orienta como interpretar e conduzir a conversa. No trecho, a frase “Designamos por __________ de entrevista, os processos utilizados para a obtenção de informação pertinente...” aponta para a palavra que nomeia justamente os procedimentos e recursos usados na entrevista. Isso corresponde a técnica de entrevista. Já “teoria de entrevista” diz respeito aos modelos conceituais que justificam as direções, interpretações e a preferência por certas técnicas, e não a “conteúdos” ou “substâncias”. Assim, o gabarito B está correto porque completa a frase de modo coerente: técnica / objetivos / técnicas. Primeiro, fala-se em técnica de entrevista como o conjunto de processos; depois, os objetivos da entrevista como aquilo para o qual a informação é obtida; e, por fim, as técnicas de entrevista como os procedimentos privilegiados por determinada teoria. Na prática, essa é uma pegadinha clássica de banca: trocar teoria por técnica ou misturar objetivo com conteúdo, quando o texto está pedindo exatamente a nomenclatura usada na teoria da entrevista. Em provas de Psicologia, especialmente em entrevista psicológica, a banca gosta de testar se você sabe separar “como fazer” de “por que fazer” e “com que fundamento fazer”.