Em 1962, a profissão de psicólogo foi regulamentada no Brasil. Especialmente em sua relação com a escola, continuou o trabalho sendo uma das principais fontes de contribuição para a educação no país. Considerando as características da história da psicologia escolar no país ao longo da atuação, podemos afirmar que ela passa a ser entendida
- A)como responsável por simplificar a rede de interações no âmbito da instituição frente à situação de queixa e fracasso escolar.
Errada, porque reduz a atuação a uma resposta ao fracasso escolar e à queixa, mantendo uma visão simplificada e individualizante.
- B)como responsável por ampliar a rede de interações no âmbito da instituição por direcionar suas práticas à gestão e forma de composição organizacional.
Errada, porque fala em gestão e composição organizacional de modo amplo, mas não traduz a perspectiva relacional e institucional da Psicologia Escolar.
- C)em uma perspectiva institucional por melhorar o funcionamento da escola como um todo, já que foca suas práticas em problemas individuais de aprendizagem.
Errada, porque mistura visão institucional com foco em problemas individuais de aprendizagem, o que contradiz a superação dessa lógica na área.
- D)em uma perspectiva relacional e institucional, visto que considera, para além do atendimento individualizado, alunos com dificuldades de aprendizagem e compreensão do funcionamento da instituição.
Certa, porque expressa a atuação em perspectiva relacional e institucional, articulando atendimento individual e compreensão do funcionamento da escola.
Gabarito: D
A história da Psicologia Escolar no Brasil passou por uma mudança importante: saiu de uma atuação mais centrada em “consertar” o aluno isoladamente e caminhou para uma visão mais ampla, olhando também a escola, as relações, as práticas pedagógicas e o contexto social. No começo, era muito comum que o psicólogo fosse chamado quase como um “detetive do fracasso escolar”, focado em testes, diagnósticos e encaminhamentos individuais. Com o tempo, essa visão ficou pequena demais para explicar os problemas escolares. Afinal, dificuldade de aprendizagem não nasce do nada: ela envolve a relação entre aluno, professor, família, currículo, métodos de ensino e organização da instituição. Por isso, a Psicologia Escolar passou a se entender de forma relacional e institucional, sem abandonar o atendimento ao aluno, mas indo além dele. É exatamente esse o ponto da alternativa D. Ela acerta porque mostra que o trabalho do psicólogo não se limita ao estudante com dificuldade, e também inclui a compreensão do funcionamento da escola como um todo. Essa é uma leitura mais atual e mais completa da área, alinhada com a crítica ao modelo individualizante e adaptacionista que marcou fases anteriores da atuação. Em outras palavras: a escola deixa de ser só o lugar onde o problema aparece e passa a ser parte da análise e da intervenção. Isso faz toda a diferença em prova, porque a banca costuma valorizar essa passagem da lógica do déficit individual para uma atuação institucional e relacional.