Uma determinada psicóloga escolar foi convidada para participar de um projeto de pesquisa que visa investigar as relações entre saúde mental, aprendizagem e violência em uma escola pública. Para realizar tal trabalho, a profissional precisa desenvolver algumas competências e habilidades interdisciplinares que possibilitem uma atuação ética, crítica e transformadora. Apresenta de forma correta algumas destas competências e habilidades a seguinte alternativa:
- A)Analisar as relações entre educação, sociedade e ideologia na escola; promover a participação dos diferentes atores envolvidos no projeto; e, propor mudanças sociais, políticas e institucionais.
Correta, pois expressa uma atuação crítica e interdisciplinar, articulando educação, sociedade, ideologia, participação coletiva e परिवर्तनação institucional.
- B)Construir estratégias de prevenção ao bullying e outras formas de violência na escola; prover programas de aprendizagem socioemocional; e, implementar práticas de disciplina e justiça restaurativa.
Errada, porque traz ações importantes, mas restritas a programas e manejo de comportamento, sem o enfoque crítico-social exigido pelo enunciado.
- C)Realizar testes psicológicos nos alunos, professores e funcionários da escola; elaborar laudos e pareceres sobre os resultados; e, encaminhar os casos mais graves para tratamento especializado.
Errada, pois reduz o trabalho do psicólogo escolar à lógica de testagem, laudos e encaminhamentos, o que não traduz a competência ampla pedida na questão.
- D)Orientar alunos, professores e funcionários da escola sobre os conceitos de saúde mental, aprendizagem e violência; prover serviços de informação e formação; e, avaliar o impacto das ações educativas.
Errada, porque foca em orientação e informação, mas ainda de modo mais descritivo e educativo, sem alcançar a análise crítica das relações sociais e institucionais.
Gabarito: A
Na Psicologia Escolar e Educacional, a atuação não se limita a olhar o aluno isoladamente, como se a dificuldade fosse um problema “dentro da cabeça” dele e pronto. A perspectiva mais atual entende que aprendizagem, saúde mental e violência na escola são produzidas por uma rede de fatores: família, escola, contexto social, relações de poder, políticas públicas e até as ideias que circulam dentro da instituição. Por isso, a intervenção do psicólogo precisa ser crítica, ética e coletiva. Quando a questão fala em competências e habilidades interdisciplinares, ela está apontando para uma atuação que vá além do atendimento individual e dos testes. O profissional deve analisar as relações entre educação, sociedade e ideologia, compreender como a escola reproduz ou questiona desigualdades e, sobretudo, construir ações com participação dos sujeitos envolvidos. Isso tem tudo a ver com uma psicologia escolar comprometida com transformação social. O gabarito é a alternativa A porque ela descreve exatamente essa postura ampliada: leitura crítica da realidade escolar, trabalho com diferentes atores e proposta de mudanças sociais, políticas e institucionais. Esse é o tipo de atuação defendido pela Psicologia Escolar crítica e também dialoga com o compromisso social da profissão, previsto no Código de Ética Profissional do Psicólogo, que valoriza a promoção da dignidade, da cidadania e a eliminação de formas de opressão e violência. As demais alternativas parecem “bonitas” e até plausíveis, mas ficam mais restritas ao campo de intervenção pontual, clínica ou programática. Em concurso, a pegadinha é essa: trocar uma atuação crítica e institucional por ações técnicas genéricas ou excessivamente individuais.