Lori fica com raiva e hostil quando seu namorado escolhe passar uma noite com seus amigos. Ela o vê como “ruim” e tenta manipulá-lo para fazê-lo ficar em casa. Ocasionalmente, quando isso ocorre, ele ameaça romper o relacionamento, mas Lori faz quase qualquer coisa para mantê-lo. Ela ameaçou ocasionalmente cometer suicídio. Podemos inferir que o padrão de comportamento de Lori é predominantemente característico do transtorno de personalidade:
- A)Antissocial.
Antissocial não é o melhor encaixe, pois o caso não mostra violação de direitos, manipulação para ganho pessoal frio ou padrão persistente de irresponsabilidade e agressividade contra normas.
- B)Borderline.
Correta, porque o quadro traz medo de abandono, relações instáveis, idealização/desvalorização do parceiro e ameaça suicida, sinais clássicos de transtorno de personalidade borderline.
- C)Esquizoide.
Esquizoide está errado, pois esse transtorno se caracteriza por distanciamento social e pouca expressão emocional, e não por vínculos intensos e dramáticos.
- D)Paranoico.
Paranoico não corresponde, já que o núcleo aqui não é desconfiança generalizada e interpretação persecutória, mas sim instabilidade afetiva e medo de perda.
- E)Passivo-agressivo.
Passivo-agressivo não é a melhor resposta, porque o enunciado aponta para dependência emocional e ameaça de autoagressão, e não apenas resistência indireta ou oposição encoberta.
Gabarito: B
A questão descreve um padrão de instabilidade afetiva e interpessoal, com medo intenso de abandono, idealização e desvalorização do parceiro, impulsividade emocional e ameaça de suicídio como forma de manter o vínculo. Esse conjunto é bem típico do transtorno de personalidade borderline, no qual a pessoa vive relações intensas, instáveis e muito marcadas por reações desproporcionais ao medo de ser deixada de lado. No borderline, é comum a pessoa alternar entre ver o outro como totalmente bom e, em seguida, como totalmente ruim quando se sente frustrada ou rejeitada. Essa visão em preto e branco, somada à dificuldade de regular emoções, explica por que Lori fica com raiva, tenta manipular o namorado e faz de tudo para evitar a separação. Outro ponto clássico é o comportamento suicida ou ameaças de suicídio como tentativa de evitar abandono real ou imaginado. Isso aparece com frequência na clínica e é um marcador importante do quadro, junto com relações intensas e instáveis, identidade instável e impulsividade. Não é uma regra de lei, claro, mas na doutrina psiquiátrica isso é um traço bem cobrado em prova. Por isso, o gabarito é a alternativa B: borderline. As demais opções não encaixam bem porque descrevem outros estilos de personalidade, sem esse medo de abandono e essa instabilidade emocional tão marcantes.