No âmbito das ciências sociais e humanas, sobretudo na contemporaneidade, é notória a exigência de conhecimentos provenientes de diferentes áreas. Isso é constatado na Psicologia Jurídica, quando multidisciplinaridade e interdisciplinaridade auxiliam nas diversas demandas junto ou para o Direito. A interdisciplinaridade dá ao profissional da psicologia no âmbito jurídico respaldo na apreensão da complexidade inerente a um objeto ou tema, bem como as implicações, reflexos e consequências no âmbito de uma realidade espaço-temporal específica. Na interdisciplinaridade com a Sociologia, por exemplo, pode-se buscar fontes para melhor compreender o controle social, isto é, meio que assegura uma conduta socialmente aprovada. O controle social é eficiente na medida em que as pessoas baseiam suas ações não apenas em recompensas e punições, mas, principalmente,
- A)nos princípios normativos e costumeiros cristalizados pela cultura.
Errada, porque princípios costumeiros ajudam na vida social, mas não explicam de forma mais precisa a eficiência do controle social pela interiorização de valores.
- B)nos modelos coercitivos que legitimam as regras sociais impostas.
Errada, porque o controle social não depende principalmente de modelos coercitivos, e sim de adesão interna às normas.
- C)na interiorização de valores e crenças que embasam as regras sociais.
Certa, porque o controle social é mais eficiente quando a pessoa internaliza valores e crenças que sustentam as regras sociais.
- D)na interiorização de modelos coercitivos explícitos e princípios de um código legal.
Errada, porque a ênfase em coerção explícita e código legal não traduz o mecanismo principal de eficiência do controle social.
- E)nas normas explícitas transmitidas verbalmente e implícitas da padronização de condutas.
Errada, porque fala em normas explícitas e implícitas, mas não destaca o ponto central da interiorização subjetiva das regras.
Gabarito: C
A ideia central da questão é o controle social: ele funciona quando as pessoas não obedecem só porque temem punição ou esperam recompensa, mas porque incorporam, de forma interna, os valores, crenças e padrões do grupo. Em outras palavras, a norma deixa de ser apenas algo imposto de fora e passa a ser vista como algo "natural" no cotidiano. É aí que a sociologia ajuda a Psicologia Jurídica a entender como a ordem social se mantém sem precisar de vigilância o tempo todo. Na prática, isso acontece quando a pessoa aprende desde cedo o que é aceitável, o que é reprovado e o que "todo mundo faz". Essa interiorização de valores e crenças faz com que a conduta socialmente aprovada seja seguida por convicção, hábito e identificação cultural, não só por medo de sanção. O controle social, então, fica mais eficiente e menos custoso. Por isso, o gabarito é a letra C. Ela traduz exatamente essa lógica: as pessoas baseiam suas ações principalmente na interiorização de valores e crenças que sustentam as regras sociais. A doutrina sociológica sobre controle social costuma destacar justamente esse processo de internalização das normas, que é essencial para entender o comportamento humano em sociedade e, por consequência, no campo jurídico. Em resumo: a lei até pune, mas a sociedade funciona mesmo quando a regra já foi "absorvida" pela pessoa. É o famoso caso em que a fiscalização sai de cena e a consciência entra em campo.