Determinada escola pública desenvolveu um projeto de atendimento educacional especializado para oferecer apoio pedagógico e psicológico aos alunos público-alvo da educação especial. Para viabilizá-lo, foi solicitada a contratação de uma psicóloga escolar, que deverá atuar de forma ética, crítica e transformadora frente aos alunos com deficiência na aprendizagem. São consideradas ações que a psicóloga poderá realizar neste contexto:
- A)Analisar as relações entre os alunos, a escola e a sociedade; promover a participação dos diferentes atores envolvidos no projeto; e, propor mudanças sociais, políticas e institucionais que favoreçam a inclusão.
Correta: expressa a atuação crítica e transformadora da psicologia escolar, com foco nas relações, na participação dos sujeitos e na mudança institucional para favorecer a inclusão.
- B)Construir estratégias de ensino e aprendizagem personalizadas para os alunos; oferecer recursos e materiais pedagógicos adequados às suas especificidades; acompanhar o seu desempenho; e, avaliar o seu progresso.
Errada: construir estratégias de ensino, materiais pedagógicos e acompanhar desempenho é atribuição central da equipe pedagógica, não da psicóloga como função principal.
- C)Orientar os alunos, os professores e as famílias sobre os conceitos de educação especial, necessidades educacionais especiais e inclusão escolar; prover serviços de informação e formação; e, avaliar o impacto das ações educativas.
Errada: orientar e formar pode fazer parte da atuação, mas a alternativa fica genérica e não destaca a intervenção crítica e institucional esperada no contexto inclusivo.
- D)Realizar testes psicológicos nos alunos; elaborar laudos e pareceres sobre as suas condições e necessidades educacionais; encaminhar os casos mais graves para tratamento especializado; e, orientar os professores sobre as adaptações curriculares.
Errada: reduz a atuação da psicóloga a testes, laudos e encaminhamentos, uma visão tradicional e restrita que não corresponde à perspectiva escolar crítica e inclusiva.
Gabarito: A
Nesta questão, o ponto central não é “fazer trabalho de professor”, nem reduzir a atuação da psicologia a teste e laudo. A psicóloga escolar, quando atua de forma ética, crítica e transformadora, olha para o processo educacional como um todo: relações na escola, participação dos sujeitos, barreiras institucionais e condições sociais que afetam a aprendizagem e a inclusão. Por isso, o foco da atuação vai muito além do aluno isolado. Ela pode analisar as relações entre estudantes, escola e sociedade, favorecer o diálogo entre os envolvidos e propor mudanças que diminuam exclusões e ampliem a participação. Isso conversa com a perspectiva da Psicologia Escolar/Educacional crítica, que entende a dificuldade de aprendizagem como fenômeno multifatorial, e não como defeito individual do aluno. O gabarito A está correto porque descreve exatamente essa atuação ampliada, coletiva e transformadora. Em educação inclusiva, a psicóloga contribui para identificar barreiras, fortalecer vínculos e apoiar práticas institucionais mais justas. A Lei Brasileira de Inclusão (Lei 13.146/2015) e a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva reforçam esse olhar para participação, acessibilidade e eliminação de barreiras. Já a armadilha clássica aqui é querer transformar a psicóloga em alguém que planeja aulas, cria material pedagógico ou substitui funções pedagógicas. Ela pode colaborar com a escola, mas não assumir o papel do professor. Também não se limita a diagnosticar e rotular, porque a atuação ética na escola busca intervenção institucional e promoção de inclusão.