Sobre a entrevista psicológica, José Bleger afirma “que se trata sempre de um fenômeno grupal”. Essa afirmativa se deve
- A)à conduta do entrevistador em despertar interesse e participação capazes de motivar o entrevistado.
Errada, porque despertar interesse e participação pode ajudar na entrevista, mas não explica a ideia de fenômeno grupal em Bleger.
- B)ao fato de a participação de um só entrevistado em sua relação com o entrevistador já configurar uma função psicológica.
Certa, porque a relação entre entrevistador e entrevistado já cria uma configuração psicológica própria, mesmo com apenas uma pessoa sendo entrevistada.
- C)a uma investigação que prioriza as relações sociais do entrevistado, às expressões de papéis e participação coletiva em detrimento da expressão da personalidade.
Errada, porque Bleger não reduz a entrevista à investigação das relações sociais nem opõe isso à personalidade.
- D)ao fato de a participação do entrevistado estar condicionada a abordagens de diferentes profissionais não somente para motivá-lo, como também para a sondagem das relações sociais.
Errada, porque a tese de Bleger não depende de múltiplos profissionais nem de sondagem de relações sociais como condição para a entrevista ser grupal.
Gabarito: B
Para José Bleger, a entrevista psicológica não é um simples papo entre duas pessoas isoladas. Mesmo quando há apenas um entrevistado, a situação já cria um vínculo, expectativas, papéis e uma dinâmica relacional que produzem um fenômeno grupal. Ou seja: não importa só o que a pessoa diz, mas a relação que se estabelece na cena da entrevista. A ideia central de Bleger é que a entrevista deve ser entendida como uma situação em que o entrevistador também influencia o campo, e não apenas observa de fora. Há uma interação contínua, com aspectos conscientes e inconscientes, que fazem dessa relação algo maior do que a soma de dois indivíduos. É por isso que ele diz que a entrevista é sempre um fenômeno grupal. O gabarito é a letra B porque ela traduz exatamente esse ponto: a participação de um só entrevistado, em relação com o entrevistador, já configura uma função psicológica. Em outras palavras, a entrevista produz uma configuração relacional com sentido psicológico próprio, ainda que a conversa pareça ser apenas entre duas pessoas. Esse olhar é bem típico da abordagem de Bleger: a entrevista não serve só para coletar dados, mas para observar como a pessoa se organiza na relação. Então, quando a banca fala em fenômeno grupal, não está falando de várias pessoas na sala, e sim da estrutura relacional que nasce no encontro.