Eu não caibo mais nas roupas que eu cabia Não encho mais a casa de alegria Os anos se passaram enquanto eu dormia E quem eu queria bem me esquecia (Arnaldo Antunes.) A transição da adolescência se inicia, fundamentalmente, na raiz das mudanças biológicas que ocorrem no organismo. No entanto, essas mudanças estão estreitamente relacionadas com mudanças psicológicas e contextuais que o adolescente vivencia. Desta forma, não se pode entender bem essa transição sem analisar as complexas interações entre os níveis biológico, psicológico e cultural. Essas questões aparecem na música de Arnaldo Antunes, ao se referir a esse conflito do jovem que lida com um novo corpo e tem novas exigências sociais, ou seja, à raiz das transformações físicas que vai percebendo em si mesmo. Considerando as mudanças físicas, cognitivas e psicossociais que ocorrem na adolescência, assinale a afirmativa que indica uma mudança psicossocial.
- A)A puberdade marca um conjunto de transformações, tais como ganho de peso, altura, massa muscular; e, amadurecimento dos órgãos sexuais femininos e masculinos.
Errada, porque descreve mudanças físicas da puberdade, como crescimento corporal e maturação sexual, e não mudança psicossocial.
- B)Nessa etapa acrescenta-se a lógica dedutiva, quando se tornam também mais evidentes os eventuais deficits de desenvolvimento intelectual. Aprende a pensar e a lidar com as ideias, a administrar os problemas de forma sistemática e metódica.
Errada, porque fala do desenvolvimento cognitivo, com raciocínio lógico e pensamento sistemático, não da dimensão psicossocial.
- C)As operações lógicas começam a ser transpostas do plano da manipulação concreta para o das ideias. Isto é feito através da linguagem, mas sem o apoio da experiência ou da percepção, ou seja, o adolescente pode pensar sobre algo totalmente abstrato.
Errada, porque também trata de mudança cognitiva, especialmente a capacidade de pensamento abstrato, e não de aspectos sociais e afetivos.
- D)A confusão de papéis é uma crise importante deste período. A pressão dos pares aliados à baixa resiliência e a eventos ambientais negativos pode levar às condutas antissociais. Ocorre o exercício pleno da sexualidade, dos relacionamentos afetivos, associados à rebeldia, à instabilidade e à busca de identidade. Acontece, geralmente, a escolha profissional.
Certa, porque aborda a crise de identidade, a confusão de papéis, a influência dos pares e a busca de autonomia e identidade, que são marcas psicossociais da adolescência.
Gabarito: D
A adolescência é uma fase de passagem em que o corpo muda rápido, mas a cabeça e a vida social também entram em reformulação. Em termos de Psicologia do Desenvolvimento, não basta olhar só para a puberdade: é preciso considerar como o jovem pensa, sente, se relaciona e busca seu lugar no mundo. É justamente por isso que as transformações dessa etapa são chamadas de biológicas, cognitivas e psicossociais, todas andando juntas, como se fossem três trilhas da mesma música. Na adolescência, acontecem mudanças físicas importantes, como crescimento corporal e maturação sexual, mas também mudanças no jeito de pensar, com maior capacidade de abstração e raciocínio. Só que a parte mais delicada costuma ser a psicossocial: o adolescente começa a testar papéis, a depender mais do grupo de pares, a buscar identidade e autonomia, e a enfrentar conflitos entre quem é, quem quer ser e o que os outros esperam dele. O gabarito é a letra D porque ela descreve exatamente essa dimensão psicossocial. A ideia de confusão de papéis vem da teoria de Erik Erikson, que chama essa etapa de crise de identidade versus confusão de papéis. Nela, o jovem vive a busca por identidade, sofre influência dos pares, pode apresentar instabilidade emocional, rebeldia e preocupação com relações afetivas e escolhas futuras, como a profissional. As outras alternativas tratam de outros domínios: A fala de mudanças físicas da puberdade, B e C descrevem avanços cognitivos do pensamento adolescente. Ou seja, a banca quer que você identifique não o que o adolescente muda no corpo ou no raciocínio, mas o que ele vive na construção de si e nas relações sociais. Aí a resposta aparece sem drama, quase como um post-it de Erikson grudado na testa.