O Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) pode ser compreendido por diferentes abordagens teóricas e de tratamento. Entre tais abordagens, há o Modelo Dugas, que sinaliza que os portadores do TAG apresentam crenças positivas sobre a preocupação. Na perspectiva deste modelo, as crenças positivas sobre a preocupação se referem a:
- A)Evitar pensar sobre o problema impede a ansiedade, favorecendo, assim, o desenvolvimento do comportamento de procrastinação.
Errada, porque fala em procrastinação e evitar pensar no problema, mas não descreve as crenças positivas sobre a preocupação do modelo de Dugas.
- B)Convicções negativas sobre a preocupação relacionadas a ideias de que ela é importante e que não se preocupar é estar vulnerável.
Errada, pois traz convicções negativas e não positivas sobre a preocupação, além de inverter o sentido pedido no enunciado.
- C)Engajamento em tentativas de eliminar a incerteza através da busca por mais informações, prejudicando o processo de resolução de problemas.
Errada, porque aborda tentativa de eliminar a incerteza por busca de informações, o que se relaciona mais à intolerância à incerteza, não às crenças positivas sobre se preocupar.
- D)Um padrão de esquivas cognitivas automatizadas que são caracterizadas por um processamento cognitivo focado em conteúdo verbal e não em imagens mentais.
Errada, pois descreve esquiva cognitiva e processamento verbal, conceitos ligados à teoria da evitação cognitiva, não à crença positiva sobre a preocupação.
- E)Acreditar que se preocupar é importante e que diminuir a preocupação significaria estar mais vulnerável, dificultando, dessa forma, o processo de tolerância à ansiedade.
Certa, porque expressa a ideia central do modelo: acreditar que preocupar-se é importante e que parar de se preocupar aumenta a vulnerabilidade.
Gabarito: E
O Modelo de Dugas, muito usado para entender o TAG, parte da ideia de que a pessoa não sofre apenas por se preocupar, mas também pelo significado que dá a essa preocupação. Ou seja, o problema não é só “pensar demais”; é acreditar que se preocupar é útil, importante e até necessário para lidar com a vida. Nesse modelo, as crenças positivas sobre a preocupação costumam aparecer como pensamentos do tipo: “se eu me preocupar, vou me preparar melhor”, “preocupar-me me ajuda a evitar surpresas” ou “se eu parar de me preocupar, fico vulnerável”. Repare no detalhe: a preocupação vira quase uma estratégia de proteção, quando na verdade acaba alimentando o próprio ciclo da ansiedade. Por isso, a alternativa E está correta. Ela descreve exatamente essa lógica: a pessoa acredita que se preocupar é importante e que reduzir a preocupação a deixaria mais vulnerável, o que dificulta a tolerância à incerteza e à ansiedade. No TAG, essa intolerância à incerteza é uma peça central do quadro, segundo a formulação cognitiva de Dugas. Em termos de prova, guarde assim: no Modelo Dugas, a preocupação é mantida por crenças positivas sobre sua utilidade, por intolerância à incerteza, por orientação negativa diante dos problemas e por evitação cognitiva. A banca adora trocar esse sentido por uma ideia parecida, mas com palavras embaralhadas.