A violência praticada contra os membros da família, principalmente contra crianças e adolescentes, envolve a reprodução da violência social e, com isso, retroalimenta processos coercitivos e de submissão com prejuízos diversos para todos, bem como desencadeia prejuízos deletérios e até irreversíveis. Para tentar saná-los, é fundamental o diagnóstico preciso de fatores de risco de proteção para crianças e adolescentes. Assinale a alternativa que apresenta, respectivamente, fatores de risco para violência sexual e negligência na família.
- A)Psicopatologia parental e práticas parentais severas.
Errada, porque psicopatologia parental e práticas severas são fatores de risco gerais para maus-tratos, mas não correspondem de forma específica aos pares pedidos para violência sexual e negligência.
- B)Práticas disciplinares severas e violência na comunidade.
Errada, porque práticas disciplinares severas e violência na comunidade se relacionam mais com violência física e contexto de vulnerabilidade, não com a associação pedida no enunciado.
- C)Histórico de abusos; inexperiência paterna e autoritarismo.
Errada, porque histórico de abusos pode até dialogar com violência sexual, mas inexperiência paterna e autoritarismo não são o par clássico de risco para negligência.
- D)Transmissão geracional de falta de cuidados parentais; conflitos conjugais e descontrole emocional.
Errada, porque transmissão geracional de falta de cuidados parentais aponta para negligência, mas conflitos conjugais e descontrole emocional são fatores amplos, não o par específico para violência sexual.
- E)Histórico de abusos sexuais e transmissão geracional deficitária ou de falta total de cuidados parentais.
Certa, porque histórico de abusos sexuais é fator de risco clássico para violência sexual e a transmissão geracional de falta ou déficit de cuidados parentais se liga diretamente à negligência familiar.
Gabarito: E
Em Psicologia Jurídica, quando falamos de violência intrafamiliar contra crianças e adolescentes, a análise dos fatores de risco ajuda a entender de onde a agressão costuma brotar. Na violência sexual, um marcador muito lembrado é o histórico de abusos na trajetória do agressor, porque a violência pode se repetir de forma intergeracional e ganhar aparência de "normalidade" dentro da família. Já na negligência, o que pesa bastante é a transmissão geracional de falta de cuidados parentais. Em outras palavras, quando uma família repete padrões de omissão, ausência de afeto, supervisão e proteção, a criança fica exposta a prejuízos físicos e emocionais importantes. Isso conversa com a ideia de ciclo da violência, muito usada na literatura da área. A alternativa E está correta porque junta, na ordem pedida, um fator de risco para violência sexual e outro para negligência: histórico de abusos sexuais e transmissão geracional deficitária ou de falta total de cuidados parentais. É a combinação mais típica quando a banca quer separar abuso sexual de negligência sem confundir com estresse familiar genérico. Na prática forense e na rede de proteção, esse tipo de leitura é essencial para identificar risco, interromper a repetição da violência e orientar medidas protetivas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente, que prioriza a proteção integral e o melhor interesse da criança e do adolescente.