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Psicologia · CONSULPLAN · 2023

Questão comentada de Psicologia

João é um estudante de psicologia que está aprendendo sobre a teoria dos construtos pessoais de George Kelly. Ele entende que essa teoria propõe que as pessoas criam modelos mentais da realidade para prever os eventos e que esses modelos são formados por construtos pessoais; as categorias descritivas que usamos para conceituar eventos. Além disso, ele também sabe que os construtos pessoais são dicotômicos e bipolares, ou seja, que entendemos a personalidade e a experiência humana em geral a partir de adjetivos com polos opostos. No entanto, João tem dúvidas sobre como os construtos pessoais se relacionam com o comportamento e a personalidade das pessoas. Ele decide pesquisar mais sobre o assunto e encontra um texto que explica os onze corolários da teoria de Kelly, que são princípios que derivam do postulado fundamental de que todos os processos psicológicos de um indivíduo dependem da forma como ele antecipa os eventos. Com base nesse texto, o corolário capaz de explicar que as pessoas podem mudar os seus construtos pessoais, quando eles se mostram ineficazes para prever os eventos, é:

Gabarito: B

George Kelly dizia que a pessoa funciona como um pequeno cientista: ela cria construtos pessoais para interpretar o mundo e antecipar o que vai acontecer. Esses construtos são pares de opostos, como bom-ruim, forte-fraco, seguro-perigoso, e servem para organizar a experiência e prever eventos. Se a previsão falha, a pessoa pode rever o seu jeito de enxergar a realidade. É aí que entra o corolário da modulação: quando um construto não está ajudando, ele pode ser alterado para ficar mais útil na leitura dos acontecimentos. Ou seja, a personalidade, nessa teoria, não é algo fechado e fixo como um tijolo. Ela pode mudar conforme os construtos são ajustados pela experiência. Isso combina bem com a ideia central de Kelly de que o comportamento depende da forma como a pessoa antecipa os eventos. Por isso, a alternativa B está correta: modulação é justamente a ideia de flexibilidade dos construtos pessoais diante de situações em que eles se mostram ineficazes. Em linguagem simples, a pessoa vai "mexendo no mapa" quando o mapa já não explica bem o território. As outras opções trazem termos que não expressam essa revisão adaptativa dos construtos. O ponto-chave aqui é perceber que Kelly não fala de rigidez absoluta, mas de revisão e adaptação do sistema de interpretação pessoal.

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