A urbanicidade envolve fatores que expõem o indivíduo ao estresse ambiental como ruído, poluição, ritmo de vida, aumento do tempo de deslocamento, diminuição do tempo para realização de atividades prazerosas e de lazer. A partir dessa assertiva, é correto afirmar que:
- A)A poluição do ar prediz positivamente a felicidade e a satisfação com a vida percebida na cidade.
Errada, porque a poluição do ar não prediz felicidade nem satisfação com a vida; em geral, ela se associa a pior bem-estar e mais desconforto.
- B)A avaliação psicológica de ameaças sociais está menos ativada em pessoas com transtornos mentais como a ansiedade.
Errada, porque transtornos como ansiedade tendem a aumentar, e não reduzir, a ativação para ameaças sociais percebidas.
- C)O estresse desencadeia reações agudas ocasionadas por estímulos diferentes, que são equilibradas a partir da síndrome de adaptação geral.
Errada, porque o estresse não é simplesmente equilibrado pela síndrome geral de adaptação de forma automática e neutra, especialmente quando há exposição prolongada.
- D)O estresse ocupacional crônico desencadeia o aumento das respostas fisiológicas, o que aumenta o desempenho e a motivação do colaborador.
Errada, porque estresse ocupacional crônico costuma prejudicar desempenho e saúde, não aumentar motivação e rendimento de modo consistente.
- E)A exposição a fatores estressantes ambientais e sociais em um período prolongado pode modificar negativamente respostas fisiológicas e psicológicas.
Certa, porque a exposição prolongada a estressores ambientais e sociais pode alterar negativamente respostas fisiológicas e psicológicas.
Gabarito: E
A questão trabalha a ideia de estresse ambiental nas cidades. Quando a pessoa vive por muito tempo cercada por ruído, poluição, trânsito, pressão de tempo e menos espaço para lazer, o corpo e a mente não ficam em “modo neutro”: eles tendem a entrar em estado de alerta contínuo. Isso pode afetar sono, humor, atenção, pressão arterial, sensação de bem-estar e até a forma como a pessoa percebe a própria vida na cidade. Em Psicologia, é importante lembrar que o estresse não é só uma reação pontual. Se os fatores estressores se mantêm por muito tempo, as respostas fisiológicas e psicológicas podem se alterar negativamente. É justamente essa lógica que a questão quer cobrar: a exposição prolongada a um ambiente urbano estressante pode desgastar o indivíduo, em vez de fortalecê-lo. O gabarito é a letra E porque ela descreve corretamente esse efeito cumulativo. Não se trata de um estresse “saudável” ou de aumento de desempenho, mas de impacto contínuo sobre o organismo e o comportamento. A doutrina da área de estresse ocupacional e ambiental, em linha com o modelo clássico de Selye sobre adaptação e esgotamento, mostra que a exposição repetida e prolongada pode levar a prejuízos físicos e emocionais. Em resumo: cidade com excesso de estímulos e pouca pausa não é só cansativa, ela pode adoecer. A banca quis ver se você percebia essa relação entre ambiente urbano e alteração negativa do funcionamento humano.