A expressão da criatividade na aprendizagem da leitura e da escrita é um tema de importância fundamental para o cenário educacional e atuação do psicólogo junto a este contexto. A referida expressão da criatividade consiste em uma forma de interação da criança com o objeto de conhecimento, em meio a processos de:
- A)Análise, síntese, comparação e inferência, tornando a escrita e a leitura um processo lógico de se relacionar com o mundo com ênfase na compreensão do que está posto.
Errada, porque descreve um processo lógico e analítico de compreensão, mas não destaca a dimensão criativa, autoral e transformadora pedida no enunciado.
- B)Cópia, memorização, repetição e obediência, tornando a escrita e a leitura um processo alheio de se relacionar com o mundo com ênfase na reprodução do que está posto.
Errada, porque aposta em cópia, memorização e repetição, o que é exatamente o oposto de criatividade na aprendizagem da leitura e da escrita.
- C)Imaginação, fantasia, expressão e criação, tornando a escrita e a leitura um processo artístico de se relacionar com o mundo com ênfase na transformação do que está posto.
Errada, porque aproxima a criatividade de imaginação e fantasia, mas ainda reduz a questão a uma visão mais artística e genérica, sem captar a ideia de autoria e encontro subjetivo com o conhecimento.
- D)Autoria, dúvidas, confrontos, curiosidades, encontro consigo mesma, tornando a escrita e a leitura um artifício de relacionamento com o mundo, transcendendo o que está posto.
Certa, porque apresenta a escrita e a leitura como experiência autoral, curiosa e reflexiva, em que a criança se relaciona com o mundo para além da simples reprodução do que está dado.
Gabarito: D
Na Psicologia da Educação, falar de criatividade na aprendizagem da leitura e da escrita é sair da ideia de que aprender é só copiar e repetir. A criança não é uma “folha em branco” que apenas reproduz sinais; ela interage com o conhecimento, faz perguntas, testa hipóteses, cria sentidos e se vê no que lê e escreve. Isso é muito mais vivo do que decorar regras como se o texto fosse um manual de montagem de cadeira. A expressão criativa nessa aprendizagem aparece quando a criança se apropria da linguagem escrita de modo autoral. Ela experimenta, erra, confronta o que sabe com o que ainda não sabe, descobre possibilidades e vai construindo uma relação própria com a leitura e a escrita. Por isso, o processo não é apenas técnico, mas também subjetivo e simbólico. O gabarito é a letra D porque ela traduz exatamente essa visão: autoria, dúvidas, confrontos, curiosidades e encontro consigo mesma. Esses elementos mostram uma criança ativa, que transforma a experiência de ler e escrever em um modo de se relacionar com o mundo e também consigo mesma. A escrita, aqui, não fica presa ao que já está posto, ela ultrapassa o dado e cria novos sentidos. As demais alternativas tentam prender a aprendizagem em modelos mais fechados. A banca quer perceber se voce entende a leitura e a escrita como práticas de construção de significado, e não como simples treino mecânico. Em termos doutrinários, essa ideia dialoga com abordagens construtivistas e sociointeracionistas da aprendizagem, que valorizam a participação ativa do sujeito na construção do conhecimento.