Autores como Campbell definem a psicopatologia como o ramo da ciência que trata da natureza essencial da doença mental; trata, ainda, suas causas, as mudanças estruturais e funcionais associadas a ela e suas formas de manifestação. Considerando que o campo da psicopatologia inclui um grande número de fenômenos humanos especiais, analise as afirmativas a seguir. I. Entendemos como fenômenos humanos especiais dentro da psicopatologia o que foi denominado historicamente como doença mental. II. No que se refere à doença mental pode-se afirmar que são vivências, estados mentais e padrões de comportamentos que apresentam, por um lado, uma especificidade psicológica. III. É possível afirmar que as vivências dos doentes mentais possuem dimensão própria, genuína, não sendo apenas “exageros” do normal e, por outro, conexões complexas com a psicologia do normal. IV. O mundo da doença mental não é um mundo totalmente estranho ao mundo das experiências psicológicas “normais”. Está correto o que se afirma em
- A)I, II, III e IV.
Correta, porque as quatro afirmativas expressam a relação entre especificidade da doença mental e sua continuidade com a vida psíquica normal.
- B)II, apenas.
Errada, porque não é apenas a II que está correta; as demais também descrevem adequadamente a psicopatologia.
- C)I e IV, apenas.
Errada, porque a I e a IV são verdadeiras, mas a II e a III também estão corretas.
- D)II e III, apenas.
Errada, porque a II e a III estão corretas, mas a questão não se limita a elas.
Gabarito: A
A psicopatologia estuda os fenômenos psíquicos alterados ligados à doença mental: como eles surgem, como se expressam e quais são suas bases psicológicas. A ideia central é que esses fenômenos não são um “outro planeta” da mente humana, mas variações e distorções de experiências que também existem, em alguma medida, no funcionamento normal. Por isso, a disciplina observa tanto a diferença quanto a continuidade entre o normal e o patológico. Na prática, isso significa reconhecer que as vivências do doente mental têm uma lógica própria e não podem ser reduzidas a simples exageros do que seria considerado normal. Ao mesmo tempo, elas não surgem do nada: mantêm conexões com a psicologia comum, com estados emocionais, percepções e modos de pensar que também aparecem na vida cotidiana, embora em outra intensidade, organização ou contexto. É exatamente esse raciocínio que sustenta as quatro afirmativas. A I acerta ao identificar os fenômenos humanos especiais com a doença mental historicamente descrita. A II também está correta ao destacar a especificidade psicológica dessas vivências, estados e comportamentos. A III reforça a ideia de que essas experiências têm dimensão própria e não são apenas “exageros” do normal. A IV completa o quadro ao afirmar que o mundo da doença mental não é totalmente estranho ao das experiências psicológicas normais. Por isso, o gabarito A está correto: todas as assertivas traduzem uma visão clássica e muito cobrada da psicopatologia, especialmente na tradição que busca compreender o fenômeno psicopatológico sem romper totalmente sua ligação com a experiência humana comum.