A avaliação da personalidade na clínica e para a saúde pode incluir informações importantes sobre o tipo de tratamento mais indicado para um indivíduo, seja psicoterapia ou não. A avaliação da personalidade e seus potenciais para a saúde é fundamental
- A)para evidenciar as dicotomias forte/fraca; boa/ruim; e, ter/não ter inerentes a uma pessoa.
Errada, porque reduz a personalidade a dicotomias simplistas, o que não corresponde à avaliação psicológica clínica.
- B)para predizer respostas específicas emitidas por uma pessoa ao interagir adequadamente com outra.
Errada, pois personalidade não serve para prever respostas específicas em interação como regra fixa e imediata.
- C)por se referir à constituição de um indivíduo de modo a evocar reações positivas e negativas em outras pessoas.
Errada, porque define personalidade de forma superficial, como se fosse apenas gerar reações positivas ou negativas nos outros.
- D)para observar as diferenças entre as pessoas e o que as faz se comportarem e responderem de forma diferente em um contexto igual para todos.
Errada, já que fala de diferenças individuais em geral, mas não aborda o foco clínico e prognóstico pedido no enunciado.
- E)por informar sobre o prognóstico e a probabilidade de adesão e permanência no tratamento, além de em contextos pré e pós-cirúrgico fornecer indicadores sobre a probabilidade de resposta negativa ao procedimento.
Certa, porque a avaliação da personalidade pode indicar prognóstico, adesão ao tratamento e risco de resposta negativa em contextos médicos e cirúrgicos.
Gabarito: E
Na clínica, avaliar personalidade não é fazer rótulo de manual, nem descobrir se alguém é “bom” ou “ruim”. A ideia é entender padrões relativamente estáveis de pensar, sentir e agir, porque isso ajuda a prever como a pessoa tende a reagir em diferentes situações e, principalmente, como ela pode responder ao tratamento. Em saúde mental e em contextos médicos, essa avaliação tem valor prático: ela pode indicar a probabilidade de adesão à psicoterapia, o risco de abandono, a forma como a pessoa lida com estresse e até o tipo de suporte mais adequado. Em situações pré e pós-cirúrgicas, por exemplo, certos traços e padrões emocionais podem sinalizar maior chance de reação negativa ao procedimento, complicações de manejo ou dificuldade de recuperação. Por isso, a alternativa E está correta: ela traduz exatamente essa função prognóstica e de orientação do cuidado. A personalidade, aqui, não serve para “carimbar” a pessoa, mas para ajudar a planejar intervenções com mais chance de dar certo. Em termos doutrinários, essa é uma aplicação clássica da avaliação psicológica em saúde, voltada à compreensão de risco, adesão e prognóstico. As demais alternativas escorregam para visões simplistas ou excessivamente genéricas, como se personalidade fosse um catálogo de dicotomias ou uma explicação vaga de diferenças individuais. Em prova, quando aparecer a expressão prognóstico, adesão ao tratamento e contexto pré/pós-cirúrgico, acenda a luz: é o uso funcional da avaliação da personalidade.