Depressão, tentativas de suicídios, uso abusivo de álcool e drogas, estresse, crises de ansiedade, fadiga e esgotamento profissional estão se tornando cada vez mais comuns e há muitas evidências da relação entre essas expressões do sofrimento humano e as formas de organização do trabalho existentes na atualidade. (Souza & Bernardo, 2019, p. 2.) Diante deste cenário nota-se a saúde mental como a dimensão que mais tensiona o contexto de trabalho. Isso pode ser explicado devido a:
- A)Excesso de estratégias de enfrentamento das situações de trabalho que geram um processo de adoecimento físico e mental.
Errada, porque não é o excesso de estratégias de enfrentamento que gera adoecimento, e sim a sobrecarga e as condições de trabalho que exigem essas estratégias.
- B)Formas de organização financeira em detrimento da produção, frente à implementação de novos mecanismos de gestão marcada por avançadas tecnologias.
Errada, pois a questão trata de saúde mental e sofrimento no trabalho, não de organização financeira nem de gestão tecnológica como explicação principal.
- C)Permanência da ideia de que o trabalho possui uma conotação positiva e o sofrimento/adoecimento psíquico, em geral, é visto como um sinal de fraqueza individual.
Certa, porque a saúde mental tensiona o trabalho quando o sofrimento psíquico ainda é visto como fraqueza individual e o trabalho mantém uma imagem idealizada e positiva.
- D)Predomínio das formas de organização da produção que culminam em processos de adoecimento, mesmo que os adoecimentos sejam individuais e sem impactos diretos para a gestão.
Errada, porque o enunciado aponta impactos coletivos e estruturais do trabalho sobre a saúde, não algo sem reflexos diretos para a gestão.
Gabarito: C
A saúde mental no trabalho virou um tema central porque o modo como o trabalho é organizado hoje pode produzir sofrimento psíquico, adoecimento e até afastamento. Quando há pressão por produtividade, controle excessivo, pouca autonomia, metas inalcançáveis e competição constante, o ambiente pesa na cabeça e no corpo. Não é frescura nem drama: é um efeito real da organização do trabalho sobre a vida do trabalhador. A questão destaca esse tensionamento porque ainda existe uma visão muito presente de que o trabalho é, por natureza, algo nobre, positivo e que dignifica. Isso faz com que o sofrimento mental seja facilmente minimizado ou lido como fraqueza pessoal, como se a pessoa fosse a única responsável pelo que sente. Na prática, isso apaga os fatores organizacionais e sociais que adoecem. Por isso, o gabarito é a letra C. Ela aponta justamente a permanência dessa ideia idealizada do trabalho e a tendência de interpretar o sofrimento psíquico como falha individual. É uma explicação bem alinhada com a Psicologia da Saúde e com a Psicodinâmica do Trabalho: muitas vezes o problema não está só na pessoa, mas na forma como o trabalho cobra, organiza e silencia o sofrimento. Então, se a banca falar em saúde mental no contexto laboral, desconfie de respostas que culpam só o indivíduo ou que tratam o adoecimento como algo isolado, sem relação com a organização do trabalho. O foco costuma ser exatamente a interface entre sujeito, atividade e condições concretas de trabalho.