Os traços de personalidade são padrões persistentes no modo de perceber, relacionar-se e pensar sobre o ambiente e sobre si mesmo, exibidos em uma ampla faixa de contextos sociais e pessoais. Apenas quando são inflexíveis e mal adaptativos e causam prejuízo funcional ou sofrimento subjetivo significativo, os traços de personalidade constituem transtornos da personalidade. (DSM-VI-TR, 2002.) De acordo com a definição do transtorno de personalidade descrita anteriormente, considere os critérios de diagnósticos seguintes para tal transtorno e assinale alternativa correta.
- A)O padrão persistente é inflexível; contudo, não abrange uma ampla faixa de situações pessoais e sociais.
Errada, porque o transtorno de personalidade exige padrão inflexível e presente em ampla faixa de contextos, e não limitado a poucas situações.
- B)O padrão é instável e de curta duração, podendo seu início remontar à adolescência ou começo da idade adulta.
Errada, porque transtorno de personalidade é um padrão persistente e duradouro, não instável nem de curta duração.
- C)O padrão é persistente; é explicado como uma ausência de manifestação ou ausência de consequência de outro transtorno.
Errada, porque o diagnóstico não se define por "ausência de manifestação" de outro transtorno, mas por um padrão persistente com critérios próprios.
- D)O padrão persistente provoca sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo funcional social e este não é decorrente dos efeitos fisiológicos diretos de uma substância.
Certa, porque o critério inclui sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo funcional e a exclusão de efeito direto de substância.
Gabarito: D
Transtorno de personalidade não é simplesmente ter um jeito forte ou diferente de ser. Para o DSM, estamos falando de um padrão duradouro de vivência interna e comportamento que foge muito do esperado culturalmente, aparece em vários contextos, começa cedo na vida adulta ou até antes, e não muda fácil com a situação. É aquele traço que não fica no modo "fase passageira" e acaba atrapalhando a vida da pessoa ou gerando sofrimento. Na prática, o diagnóstico exige alguns pontos-chave: o padrão precisa ser persistente e inflexível, atingir diferentes áreas da vida, causar prejuízo funcional ou sofrimento clinicamente significativo e não ser melhor explicado por uso de substância, doença clínica ou outro transtorno mental. Ou seja, não basta a pessoa ser mais difícil, reservada ou impulsiva; tem que haver rigidez e impacto real. A alternativa D está correta porque traz justamente dois elementos centrais do critério diagnóstico: sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo funcional e exclusão dos efeitos fisiológicos diretos de substância. Esse é um filtro clássico do DSM para evitar confundir transtorno de personalidade com intoxicação, abstinência ou quadros induzidos por substâncias. As demais opções escorregam em pontos importantes: uma descreve padrão que não alcança ampla faixa de situações, outra fala em curso instável e curto, e a terceira tenta definir o transtorno por ausência de outra condição, o que não corresponde ao critério formal. Em prova, a banca costuma misturar termos parecidos para ver se você sabe o que é diagnóstico de verdade e o que é só aparência de definição.