Leia com atenção as afirmações a seguir sobre a Psicopatologia e marque a CORRETA.
- A)Em geral, quando se estudam os sintomas psicopatológicos, dois aspectos básicos costumam ser enfocados: o grau dos sintomas, isto é, o comprometimento cognitivo do indivíduo, e seu conteúdo, ou seja, aquilo que preenche a alteração estrutural (conteúdo de culpa, religioso, de perseguição etc.). Este último é geralmente mais pessoal, dependendo da história de vida do paciente, de seu universo cultural e da personalidade prévia ao adoecimento.
Errada, porque confunde grau/intensidade do sintoma com comprometimento cognitivo e simplifica demais o estudo do conteúdo psicopatológico.
- B)O diagnóstico psicopatológico, com exceção dos quadros psico-orgânicos (delirium, demências, síndromes focais etc.), não é, de modo geral, baseado em possíveis mecanismos etiológicos supostos pelo entrevistador. Baseia-se, principalmente, no perfil de sinais e sintomas apresentados pelo paciente na história da doença e no momento da entrevista. Deve-se, portanto, manter duas linhas paralelas de raciocínio clínico: uma linha diagnóstica, baseada fundamentalmente na cuidadosa descrição evolutiva e atual dos sintomas que de fato o paciente apresenta; e uma linha etiológica, que busca, na totalidade de dados biológicos, psicológicos e sociais, uma formulação hipotética plausível sobre os possíveis fatores etiológicos envolvidos no caso.
Certa, pois o diagnóstico psicopatológico se apoia principalmente na descrição dos sinais e sintomas, deixando a etiologia como hipótese paralela e não como ponto de partida.
- C)Os processos agudos ou subagudos classificam-se em crises ou ataques, episódios, reações vivenciais, fases e surtos.
Errada, porque essa classificação não corresponde de forma precisa à organização clássica dos processos psicopatológicos agudos ou subagudos.
- D)O campo da psicopatologia inclui um grande número de fenômenos humanos especiais, associados ao que se denominou historicamente de doença mental. São vivências, estados mentais e padrões cognitivos que apresentam, por um lado, uma especificidade psicológica (as vivências dos doentes mentais possuem dimensão própria, genuína, não sendo apenas “exageros” do normal) e, por outro, conexões complexas com a psicologia do normal (o mundo da doença mental não é um mundo totalmente estranho ao mundo das experiências psicológicas “normais”).
Errada, embora a ideia geral sobre a relação entre o patológico e o normal esteja correta, a formulação é genérica e não define adequadamente o campo da psicopatologia como a questão exige.
- E)A Semiologia Psicopatológica cuida especificamente do estudo dos sinais e sintomas produzidos pelos transtornos mentais, significantes que sempre contêm essa dupla dimensão.
Errada, porque a semiologia psicopatológica não trata apenas de sinais e sintomas, e a formulação com "sempre contêm essa dupla dimensão" fica imprecisa e excessivamente absoluta.
Gabarito: B
A Psicopatologia estuda as alterações da vida psíquica que aparecem nos transtornos mentais, tentando descrever com precisão o que o paciente sente, pensa, percebe e faz. Aqui, a banca cobra uma ideia bem clássica: primeiro você observa o quadro clínico como ele se apresenta, depois pensa nas possíveis causas. Isso evita o erro de “adivinhar” a etiologia antes de descrever o fenômeno. Por isso, a alternativa B está correta. Ela traduz exatamente a lógica do diagnóstico psicopatológico: a base principal é o conjunto de sinais e sintomas relatados e observados na entrevista e na evolução do caso. A investigação etiológica vem em outra camada, como hipótese explicativa, apoiada em dados biológicos, psicológicos e sociais. Esse jeito de raciocinar é muito usado na semiologia e na psicopatologia descritiva, como ensinam autores clássicos da área, a exemplo de Karl Jaspers e, no Brasil, Dalgalarrondo. A mensagem é simples: primeiro descreva bem; depois explique. Senão, você corre o risco de colocar a carroça na frente do cavalo clínico. As demais alternativas misturam conceitos ou exageram definições. Em prova, a CETREDE gosta bastante desse cuidado com a descrição fenomenológica e com a separação entre diagnóstico clínico e hipótese causal.