Acerca da psicologia em casos de emergências e desastres, julgue os itens subsequentes. I Em situações de emergência e desastre, é essencial que os processos cognitivos que mediam o evento e a reação, assim como os aspectos envolvidos nessa mediação, sejam considerados. II A avaliação primária envolve o enfrentamento da situação. III A avaliação cognitiva prejudica a categorização do evento, comprometendo as intervenções do profissional. IV A avaliação cognitiva da ameaça viabiliza a articulação de estratégias de enfrentamento. Assinale a opção correta.
- A)Apenas os itens I e II estão certos.
Errada, porque o item II confunde avaliação primária com enfrentamento, e o item IV é verdadeiro.
- B)Apenas os itens I e III estão certos.
Errada, porque o item III está incorreto ao dizer que a avaliação cognitiva prejudica a categorização do evento.
- C)Apenas os itens I e IV estão certos.
Certa, porque os itens I e IV refletem corretamente a importância da avaliação cognitiva e da percepção de ameaça na resposta ao desastre.
- D)Apenas os itens II e III estão certos.
Errada, porque o item II não define avaliação primária e o item III também está errado.
- E)Apenas os itens II e IV estão certos.
Errada, porque o item II está incorreto, embora o item IV esteja certo.
Gabarito: C
Em situações de emergência e desastre, a leitura psicológica do evento importa muito. A pessoa não reage apenas ao fato em si, mas à forma como ela interpreta o que aconteceu, o quanto percebe ameaça e quais recursos acha que tem para lidar com aquilo. Isso é bem alinhado com a teoria da avaliação cognitiva, especialmente a de Lazarus e Folkman, em que o estresse depende da relação entre pessoa e ambiente, mediada por julgamentos cognitivos. A avaliação primária é o primeiro “olhar” sobre o acontecimento: a pessoa verifica se aquilo é irrelevante, benéfico ou ameaçador. Ou seja, ela não é o enfrentamento em si. O enfrentamento, ou coping, vem depois, quando a pessoa começa a mobilizar estratégias para lidar com a demanda percebida. Então o item II erra ao trocar avaliação por ação. Já a avaliação da ameaça é justamente o que ajuda a organizar a resposta. Quando o sujeito percebe risco, dano ou perda, ele passa a articular estratégias de enfrentamento mais adequadas, sejam focadas no problema, sejam focadas na emoção. Por isso o item IV está correto. O item I também está correto porque, em crise e desastre, entender os processos cognitivos que mediam a reação é essencial para orientar intervenção, acolhimento e manejo. O item III está errado porque a avaliação cognitiva não prejudica a categorização do evento; ao contrário, ela é o mecanismo que permite essa categorização. Sem essa leitura inicial, o profissional perde informação importante sobre como o sujeito está atribuindo sentido ao desastre.