Com referência à avaliação psicológica e ao psicodiagnóstico, assinale a opção correta.
- A)Escalas por si só são suficientes para uma conclusão diagnóstica.
Errada, porque escalas isoladamente não bastam para concluir diagnóstico, já que a avaliação deve integrar diferentes fontes e métodos.
- B)A entrevista objetiva com familiares não é indicada na avaliação dos transtornos de humor.
Errada, porque a entrevista com familiares pode ser muito útil na avaliação de transtornos de humor, especialmente na infância e adolescência.
- C)A sobreposição de fatores ambientais, desenvolvimentais e comorbidades pode dificultar o diagnóstico de quadros de humor na infância e na adolescência.
Certa, porque fatores ambientais, desenvolvimentais e comorbidades podem se sobrepor e dificultar o diagnóstico de quadros de humor nessa faixa etária.
- D)A entrevista estruturada é essencial na avaliação de quadros de ansiedade devido à sintomatologia clínica do próprio transtorno.
Errada, porque a entrevista estruturada pode ajudar, mas não é "essencial" de modo absoluto para avaliar ansiedade; a avaliação depende do caso e da integração de técnicas.
- E)Considerando-se o tempo de aplicação e a complexidade, testes de triagem não são sugeridos na avaliação de risco e gravidade de quadros delirantes.
Errada, porque testes de triagem podem ser úteis como apoio na avaliação de risco e gravidade de quadros delirantes, embora não substituam a avaliação clínica completa.
Gabarito: C
Na avaliação psicológica e no psicodiagnóstico, a regra de ouro é simples: não existe atalho mágico. Você não fecha diagnóstico com um único instrumento, nem com uma única fala, nem com uma única escala. O processo costuma juntar entrevista, observação, testes, informações de familiares e análise do contexto de vida da pessoa. É justamente essa integração que ajuda a dar sentido aos sintomas. Quando falamos de quadros de humor na infância e na adolescência, a leitura fica ainda mais delicada. Nessa fase, o comportamento pode ser influenciado por mudanças do desenvolvimento, problemas escolares, dinâmica familiar, estressores ambientais e até outras condições associadas. Por isso, a sobreposição entre fatores ambientais, desenvolvimentais e comorbidades realmente pode embaralhar o diagnóstico e exigir uma avaliação mais cuidadosa. É aí que a alternativa C acerta em cheio. Em crianças e adolescentes, sintomas parecidos podem aparecer por motivos diferentes, e o psicólogo precisa separar o que é manifestação do transtorno de humor, o que é reação ao contexto e o que pode ser comorbidade. Sem essa cautela, o risco é rotular rápido demais algo que pede investigação mais ampla. Em termos técnicos, isso está alinhado à prática da avaliação psicológica prevista nas resoluções do CFP sobre avaliação psicológica e uso de testes, que reforçam a ضرورت de integração de fontes de informação e de interpretação contextualizada. Em concurso, desconfie de frases absolutas como "é suficiente", "não é indicada" ou "é essencial": quase sempre a banca quer testar se você sabe que a clínica real é mais complexa do que a frase parece.