O cenário da educação brasileira mostra uma realidade social de grandes problemas: a) indicadores que apontam para a exclusão de crianças e jovens em todos os níveis de ensino especialmente na rede pública; b) educação concebida como mercadoria, não como direito, o que divide o país em escolas particulares e públicas com condições de funcionamento muito diferentes; c) professores e famílias sofrendo o impacto de políticas educacionais assistencialistas e demagógicas, como por exemplo, as escolas integrais que não têm como funcionar por falta de todo tipo de estrutura; d) crianças e adolescentes que não conseguem aprender e experimentam o fracasso escolar cotidiano ao frequentar a escola; e) jovens que não conseguem prosseguir seus estudos evadindo-se, muito precocemente, para a busca de trabalho; f) universitários que, apesar das políticas que se apresentam como facilitadoras do acesso ao ensino superior, não conseguem permanecer em seus cursos e não se titulam; e) professores mal pagos e mal formados que trabalham como escravos de uma situação de tensão e desgastes, tanto físico quanto psicológico, aviltados em seus direitos trabalhistas e que se caracterizam hoje por uma classe trabalhadora estafada e doente. Guzzo. Risco e proteção: análise crítica de indicadores para uma intervenção preventiva na escola. 2016. Considerando-se o texto precedente e os desafios presentes no cenário brasileiro, é correto afirmar que a atuação do psicólogo na escola deve ter enfoque
- A)nas competências do psicólogo.
Errada, porque reduz a atuação do psicólogo às suas próprias competências, como se o foco fosse a pessoa do profissional e não a realidade escolar.
- B)nas habilidades sociais do psicólogo.
Errada, porque habilidades sociais do psicólogo podem ajudar na prática, mas não são o centro da intervenção pedida pela questão.
- C)no contexto em que alunos e professores estão inseridos.
Certa, pois a atuação do psicólogo escolar deve considerar as condições concretas em que alunos e professores vivem e aprendem.
- D)na personalidade dos alunos.
Errada, porque psicologizar a questão pela personalidade dos alunos é uma leitura individualizante e insuficiente para explicar os problemas descritos.
Gabarito: C
A atuação do psicólogo escolar hoje não pode ficar presa a uma visão individualizante, como se o problema estivesse apenas no aluno, na sua personalidade ou em um suposto “déficit” interno. Quando o enunciado mostra exclusão, evasão, fracasso escolar, desigualdade entre redes e sofrimento docente, ele está apontando para um quadro complexo, produzido pela relação entre sujeito, escola e sociedade. Por isso, o enfoque correto é o contexto em que alunos e professores estão inseridos. O psicólogo escolar deve olhar para as condições concretas de aprendizagem, para a organização da escola, para as relações institucionais, para as políticas públicas e para os fatores sociais que atravessam a vida escolar. Não é caso de “culpar” o estudante ou testar o psicólogo como um super-humano com competências mágicas. Essa visão está alinhada à Psicologia Escolar/Educacional em perspectiva crítica, que defende intervenções institucionais e preventivas, voltadas à promoção de inclusão, aprendizagem e saúde no ambiente escolar. Também conversa com a LDB (Lei 9.394/1996), que trata a educação como direito e reforça a necessidade de condições adequadas para o processo educativo. Em resumo: diante de problemas educacionais amplos e sociais, a resposta correta é olhar para o cenário real da escola, e não para uma explicação isolada dentro do aluno ou do psicólogo.