No que se refere à psicoterapia breve e intervenções em crise, assinale a opção correta.
- A)As terapias breves, pela sua própria fundamentação teórica, desconsideram conceitos como transferência e associação livre.
Errada, porque terapias breves não dispensam transferência nem outros conceitos clínicos; elas apenas trabalham com foco e delimitação de objetivos.
- B)De modo geral, pessoas com poucos recursos psicológicos não se beneficiam de intervenção em crise.
Errada, porque pessoas com poucos recursos psicológicos podem sim se beneficiar de intervenção em crise, desde que recebam suporte adequado e manejo técnico.
- C)Na psicoterapia breve, os objetivos terapêuticos são circunscritos, com formulação inicial de hipótese, associado ao conflito central e o estabelecimento de critérios de melhora e evolução.
Certa, pois a psicoterapia breve é estruturada em torno de um foco, com hipótese inicial sobre o conflito central e critérios definidos de melhora e evolução.
- D)Psicoterapias em crise são restritas a situações de desastre e emergência.
Errada, porque intervenção em crise não se limita a desastres e emergências formais, podendo ser usada em várias situações de ruptura ou desorganização emocional.
Gabarito: C
A psicoterapia breve e a intervenção em crise têm algo em comum: as duas trabalham com foco, tempo e objetivo bem definidos. Em vez de “abrir todos os armários da mente”, a proposta é mirar no problema central e agir de forma mais direta, sem perder a escuta clínica. Isso é muito cobrado em prova porque a banca gosta de trocar a ideia de “breve” por “superficial”, e isso está errado. Na psicoterapia breve, há um enquadramento técnico claro: você define uma hipótese inicial sobre o conflito central, escolhe um foco terapêutico e estabelece critérios para acompanhar melhora e evolução. Ou seja, não é uma terapia solta; ela é planejada e orientada por objetivos circunscritos, com estratégia e avaliação ao longo do processo. É justamente por isso que a alternativa C está correta. Ela descreve a lógica da psicoterapia breve de forma clássica: objetivos delimitados, hipótese inicial ligada ao conflito central e parâmetros para verificar se o tratamento está funcionando. Isso é bem compatível com a doutrina das psicoterapias breves, especialmente as de orientação focal e psicodinâmica. Já a intervenção em crise não é exclusividade de desastres ou grandes emergências. Crise pode ocorrer em lutos, separações, tentativas de suicídio, perdas súbitas ou desorganizações emocionais importantes. A ideia é ajudar a pessoa a recuperar algum nível de funcionamento e apoio psíquico no momento em que a situação ultrapassa seus recursos habituais.