Lucas, 30 anos de idade, comparece, acompanhado por um amigo, à unidade de pronto atendimento de sua cidade com quadro de fala arrastada, incoordenação motora, comprometimento da atenção e agressividade. A partir do caso clínico precedente, considerando as contribuições da psicopatologia do adulto e o Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais (DSM-5-TR), é correto afirmar que Lucas apresenta intoxicação por
- A)cafeína.
Errada, porque cafeína costuma causar excitação, ansiedade, tremor e insônia, e não fala arrastada com incoordenação motora típica de depressor do SNC.
- B)álcool.
Certa, porque intoxicação por álcool cursa com fala arrastada, comprometimento da coordenação, prejuízo da atenção e pode haver desinibição ou agressividade.
- C)cannabis.
Errada, porque cannabis pode alterar atenção e coordenação, mas o quadro clássico de disartria e intoxicação mais marcada com agressividade aponta mais para álcool.
- D)alucinógenos.
Errada, porque alucinógenos se associam sobretudo a alterações perceptivas, distorções sensoriais e experiências alucinatórias, não ao padrão descrito de sedação e descoordenação.
Gabarito: B
A questão descreve um quadro bem típico de intoxicação por substância depressora do sistema nervoso central: fala arrastada, incoordenação motora, prejuízo da atenção e até agressividade. No DSM-5-TR, a intoxicação por álcool costuma aparecer exatamente com esse combo de sinais, especialmente a disartria, a marcha e coordenação prejudicadas e a alteração comportamental. Em prova, quando aparecem fala enrolada + desequilíbrio + desatenção, o radar já acende para álcool quase automaticamente. O álcool pode causar desde desinibição e irritabilidade até agressividade, além de rebaixar a vigilância e atrapalhar o controle motor. Isso ajuda a diferenciar de outras substâncias: cafeína tende a dar agitação, insônia e taquicardia; cannabis costuma provocar alteração perceptiva, prejuízo de memória e coordenação, mas não é o quadro mais clássico descrito; alucinógenos puxam mais para alterações perceptivas intensas e distorções sensoriais. A lógica do DSM-5-TR é clínica: a intoxicação é reconhecida pelo conjunto de sinais e sintomas após uso recente da substância, com prejuízo comportamental ou psicomotor. Aqui, o retrato é praticamente de manual de intoxicação alcoólica, sem precisar fazer malabarismo diagnóstico. Em concurso, esse é aquele caso em que o enunciado entrega a substância de bandeja, só com roupa discreta.