A respeito das unidades básicas de saúde (UBS), as demandas da população e os serviços oferecidos para saúde mental, assinale a opção correta.
- A)Os serviços devem promover a capacitação das pessoas para reconhecer e utilizar todo o seu potencial de saúde mental, mesmo que haja limitações em algumas áreas.
Certa: expressa a ideia de promoção de saúde mental, autonomia e fortalecimento de potencialidades, que é compatível com o cuidado na atenção básica.
- B)Os serviços oferecidos em todas as unidades do país devem seguir os mesmos procedimentos e as mesmas formas de abordagem ao paciente.
Errada: o atendimento em saúde mental não deve ser engessado e igual em todo o país, porque precisa respeitar as necessidades locais e o contexto de cada usuário.
- C)É necessário que o atendimento seja feito exclusivamente por profissionais da saúde, de modo a evitar desvios inadequados dos objetivos que são voltados para a saúde física e mental.
Errada: o cuidado em saúde mental não é exclusivo da área da saúde, pois depende de atuação multiprofissional e articulação com a rede de apoio.
- D)O modelo assistencial deve ser focado e ter como objetivo a saúde mental, conceituada como a total ausência de doença psicológica.
Errada: saúde mental não se confunde com ausência total de doença psicológica; o conceito é mais amplo e envolve bem-estar, funcionalidade e capacidade de enfrentamento.
Gabarito: A
Na atenção básica, saúde mental não é só “tratar doença”: é também promover autonomia, acolhimento, prevenção e cuidado contínuo dentro da rede do SUS. A UBS funciona como porta de entrada preferencial e deve olhar a pessoa de forma integral, considerando sofrimento psíquico, contexto familiar, social e territorial. Isso combina com a lógica da Reforma Psiquiátrica e da Rede de Atenção Psicossocial, que valorizam o cuidado comunitário e não apenas o modelo hospitalar. Por isso, a ideia da alternativa A está correta: o serviço deve ajudar a pessoa a reconhecer capacidades, desenvolver recursos e usar seu potencial de saúde mental, mesmo quando existirem limitações em algumas áreas. Em outras palavras, saúde mental não significa perfeição nem ausência total de dificuldades, mas sim ampliar possibilidades de viver melhor, com apoio e acompanhamento. As UBS não devem seguir uma lógica rígida e padronizada como se todo usuário fosse igual, porque o cuidado em saúde mental precisa ser territorial, singular e centrado na pessoa. A abordagem também não fica restrita exclusivamente a profissionais de saúde, já que o trabalho é multiprofissional e intersetorial, podendo envolver rede social, educação, assistência e família, conforme a necessidade do caso. Na prática, a banca costuma cobrar essa visão mais humanizada: saúde mental como promoção de autonomia, inclusão e cuidado em rede, e não como uma caça à “normalidade perfeita”.