Em relação ao desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis pela população geral, assinale a opção correta.
- A)Homens são mais propensos ao adoecimento do que mulheres, em função de variáveis genéticas e socioculturais.
Certa, porque homens podem apresentar maior vulnerabilidade ao adoecimento por uma combinação de fatores genéticos, comportamentais e socioculturais.
- B)Em cidades grandes, as doenças crônicas incidem igualmente entre habitantes de diferentes bairros e setores, independentemente de fatores socioculturais.
Errada, porque a distribuição das doenças crônicas varia conforme condições sociais, econômicas e de acesso à saúde entre diferentes áreas da cidade.
- C)O transtorno depressivo não afeta os sistemas imune e endócrino no caso dessas doenças, o que é explicado pela teoria sistêmica.
Errada, porque a depressão pode afetar os sistemas imune e endócrino, e a visão sistêmica justamente considera essa interação entre corpo e ფსique.
- D)A demora em buscar assistência médica por medo ou ansiedade em relação a um possível diagnóstico pouco afeta a evolução de doenças crônicas, porque elas não são controláveis.
Errada, porque o atraso na busca por assistência pode agravar o quadro e dificultar o controle da doença crônica.
- E)Embora doenças crônicas não tenham cura, os índices oficiais de óbito entre portadores dessas doenças são baixos.
Errada, porque doenças crônicas estão entre as principais causas de adoecimento e morte, com impacto relevante nos índices de óbito.
Gabarito: A
Na Psicologia da Saúde, quando se fala em doenças crônicas não transmissíveis, você precisa olhar além do diagnóstico: entra aí o jeito de viver, o contexto social, o estresse, a rede de apoio e até diferenças de gênero. Essas doenças não aparecem no vácuo, como se todo mundo tivesse a mesma chance em qualquer lugar e nas mesmas condições. A incidência e a evolução costumam variar bastante conforme sexo, idade, renda, escolaridade, trabalho e acesso aos serviços de saúde. É por isso que a alternativa A está correta. Em muitas condições crônicas, os homens aparecem mais vulneráveis ao adoecimento e, muitas vezes, também procuram menos os serviços de saúde, o que piora o cenário. Essa diferença não se explica por um único fator: envolve aspectos biológicos, comportamentais e socioculturais, exatamente como a questão descreve. As demais opções tentam passar uma ideia de neutralidade que não existe. Doença crônica não respeita a lógica do "todo mundo igual" em bairro rico ou pobre, nem ignora o impacto da depressão sobre imunidade e sistemas hormonais. Na vida real, adiar atendimento por medo ou ansiedade costuma atrapalhar bastante o prognóstico, porque diagnóstico e acompanhamento precoce fazem diferença. Em resumo: em saúde, contexto importa. E muito. É por isso que a banca acertou ao cobrar a relação entre fatores biológicos e socioculturais na maior vulnerabilidade masculina a certos adoecimentos crônicos.