Após ter sido diagnosticada com diabetes melito, Maria, mulher obesa de 40 anos de idade, recebeu de uma equipe composta por médico, nutricionista, psicólogo e educador físico orientações para uso de determinada medicação, modificação do comportamento alimentar, manejo de situações ansiogênicas e realização de atividades físicas. Maria aderiu imediatamente às orientações recebidas; porém, quatro meses depois, passou a comparecer apenas às consultas médicas e manteve somente o uso da medicação, deixando de seguir todas as outras orientações. Depois disso, seu quadro clínico agravou-se significativamente. Com relação a essa situação hipotética, é correto concluir que
- A)Maria pode não ter assimilado todas as orientações recebidas em razão de impacto emocional do diagnóstico.
Certa: o impacto emocional do diagnóstico pode dificultar a compreensão e a assimilação das orientações, prejudicando a adesão.
- B)o comportamento de Maria é decorrente da não aceitação da doença.
Errada: o caso não permite concluir, necessariamente, falta de aceitação da doença; há outras explicações mais compatíveis, como dificuldade emocional inicial.
- C)a resposta de Maria foi inesperada e atípica, pois pacientes diagnosticados com doença crônica, quando começam a seguir as orientações de nutricionistas, psicólogos e educadores físicos logo no início do tratamento, tendem a continuar seguindo as prescrições ao longo de todo o tratamento.
Errada: a situação descrita é plausível e comum em doenças crônicas, pois a adesão costuma variar ao longo do tempo.
- D)o fato de Maria ter continuado o uso da medicação caracteriza, por si só, adesão ao tratamento.
Errada: continuar apenas a medicação não significa adesão ao tratamento como um todo, já que as demais orientações também fazem parte dele.
- E)a qualidade de vida de Maria teria sido favorecida se ela tivesse seguido as outras orientações até o fim do tratamento, mas isso não teria minimizado o agravamento da doença.
Errada: seguir dieta, atividade física e manejo emocional poderia sim minimizar o agravamento da doença, além de melhorar a qualidade de vida.
Gabarito: A
Em psicologia da saúde, adesão ao tratamento não é só “tomar remédio”. Ela envolve seguir de forma contínua as orientações combinadas com a equipe de saúde, como dieta, atividade física, manejo emocional e uso de medicação. Em doenças crônicas, isso é ainda mais importante, porque o controle depende de mudanças de hábito sustentadas no tempo. No caso narrado, Maria até aderiu no início, mas depois abandonou quase todas as recomendações e manteve apenas a medicação. Isso mostra uma adesão parcial e insuficiente, o que ajuda a explicar o agravamento do quadro. Em termos práticos: tomar um comprimido e ignorar o resto do plano costuma ser como querer apagar incêndio com um copo d’água. O gabarito é a letra A porque o diagnóstico de uma doença crônica pode provocar impacto emocional importante, como medo, negação, ansiedade, tristeza e sobrecarga. Esse abalo pode comprometer a assimilação das orientações recebidas, principalmente quando o paciente ainda está tentando lidar com a notícia e com as mudanças exigidas no estilo de vida. Ou seja, a situação sugere que Maria pode não ter internalizado bem as recomendações logo após o diagnóstico, e isso é compatível com a prática clínica em psicologia da saúde. A adesão costuma oscilar e não depende apenas de “força de vontade”, mas também de compreensão, apoio emocional e acompanhamento multiprofissional.