A inovação nunca é isenta de riscos. Mas, se for baseada na exploração daquilo que já aconteceu na própria empresa, ela será muito menos arriscada do que não inovar pela exploração dessas oportunidades. Peter Drucker. Desafios gerenciais para o século XXI. Traduzido por Nivaldo Montigelli Jr. São Paulo: Cengage Learning, 1999 (com adaptações). Acerca de uma postura apropriada do líder de mudanças para implantar uma inovação, assinale a opção correta.
- A)O líder de mudança deve incentivar projetos de inovação, ainda que essa inovação não esteja sintonizada com a realidade estratégica da organização.
Errada, porque inovação precisa estar alinhada à estratégia e às necessidades da organização, não ser incentivada de forma aleatória.
- B)Qualquer projeto que traga algo novo já pode ser considerado uma inovação, pois novidades também são inovações, mesmo que utilizadas somente para diversão.
Errada, pois nem toda novidade é inovação; para ser inovação, a mudança precisa ter propósito e utilidade, não apenas ser algo novo ou divertido.
- C)Nos projetos de inovação, para gerir a inovação, o movimento precede a ação.
Errada, porque na gestão da inovação a ação e o planejamento orientam o movimento, e não o contrário.
- D)Fazer testes-piloto no projeto de inovação não gera os efeitos de controle sobre os riscos advindos do novo produto, pois não é possível determinar as consequências mercadológicas de uma inovação.
Errada, porque testes-piloto ajudam justamente a reduzir riscos e a avaliar efeitos antes da implantação ampla.
- E)Apesar de seu papel protagonista na condução da mudança, o líder pode optar pela continuidade de alguns processos que possam conviver com a inovação.
Certa, porque o líder de mudanças pode preservar processos que continuem úteis e convivam com a inovação durante a transição.
Gabarito: E
Inovação, em Psicologia e Organizações, não significa jogar fora tudo o que já existe e começar do zero. Na prática, liderar mudanças exige escolher o que vai ser transformado e o que pode continuar funcionando, para a transição não virar caos organizacional. Por isso, a mudança costuma ser implantada de modo gradual, com espaços de teste, aprendizagem e ajustes. A ideia central aqui é que o líder de mudanças precisa equilibrar ruptura e continuidade. Nem todo processo antigo é um obstáculo: alguns podem conviver com a novidade, desde que não atrapalhem o objetivo estratégico da organização. Esse olhar é bem alinhado com a gestão da mudança e com a lógica de implementação segura de inovação, reduzindo resistência e preservando o que ainda gera valor. É exatamente isso que a alternativa E traz. Mesmo com papel protagonista, o líder não é obrigado a demolir todos os processos existentes; ele pode manter alguns deles enquanto a inovação entra em operação. Isso torna a mudança mais realista, menos traumática e mais viável do ponto de vista organizacional. As demais alternativas erram porque tratam inovação como novidade solta, sem alinhamento estratégico, ou negam ferramentas básicas de gestão de risco, como testes-piloto. Em termos práticos, inovar não é inventar por inventar: é mudar com direção, critério e algum carinho pelos processos que ainda funcionam.