Julgue os itens a seguir, relativos às intervenções possíveis no caso de pacientes com transtorno decorrente do uso de álcool, considerando o Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais (DSM-5) e a Classificação Internacional das Doenças (CID-10). I O diagnóstico e o tratamento precoce da dependência de álcool têm efeitos no prognóstico de pacientes. II Não há evidência da necessidade de utilização da entrevista motivacional em casos de dependência de álcool. III As intervenções, no caso de transtorno decorrente do uso de álcool, devem priorizar confrontações diretas. Assinale a opção correta.
- A)Apenas o item I está certo.
Certa, porque apenas o item I é verdadeiro; os itens II e III contrariam a prática baseada em evidências.
- B)Apenas o item II está certo.
Errada, porque o item II está incorreto: a entrevista motivacional tem evidência e é indicada em muitos casos.
- C)Apenas os itens I e II estão certos.
Errada, porque o item II não está certo; não é verdade que falte evidência para entrevista motivacional.
- D)Apenas os itens I e III estão certos.
Errada, porque o item III está incorreto; a conduta não deve priorizar confrontação direta.
- E)Todos os itens estão certos.
Errada, porque os itens II e III são falsos, então não podem estar todos certos.
Gabarito: A
Em transtornos por uso de álcool, o tempo importa muito: quanto antes o problema é identificado e tratado, maior a chance de reduzir danos, evitar complicações clínicas, melhorar adesão e preservar prognóstico. Isso é coerente com a lógica do DSM-5, que trata o transtorno por uso de substância como um quadro que varia em gravidade e pode evoluir se não houver intervenção precoce, e com a CID-10, que também reconhece a síndrome de dependência e seus desdobramentos clínicos e sociais. O item I está certo porque diagnóstico e tratamento precoces realmente ajudam o paciente. Não é milagre de novela, mas faz diferença real: menos recaídas, menos comorbidades e menos prejuízo funcional. O item II está errado porque a entrevista motivacional tem, sim, evidência e é muito usada nesses casos. Ela é justamente uma estratégia útil para aumentar a disposição para mudança, sem bater de frente com o paciente logo de início. O item III também está errado: em geral, as intervenções não devem priorizar confrontação direta, porque esse estilo costuma gerar resistência e piorar a adesão. Em vez de confronto bruto, costuma funcionar melhor uma abordagem acolhedora, motivacional e baseada em redução de danos quando indicado. Por isso, a alternativa A é a correta: somente o item I está certo.