Lúcio, de 40 anos de idade, relata, em avaliação psiquiátrica, características condizentes com quadro de concentração prejudicada, anedonia, retardo psicomotor e ideação suicida há mais de três semanas. Comenta perda de energia, além de alteração no sono. Nega delírios e alucinações. Levando-se em consideração as contribuições da psicopatologia, é correto afirmar que Lúcio apresenta características do transtorno
- A)de personalidade
Errada, porque transtornos de personalidade são padrões estáveis e duradouros de comportamento, não um episódio depressivo com sintomas vegetativos e ideação suicida.
- B)esquizoafetivo.
Errada, porque o transtorno esquizoafetivo exige presença de sintomas psicóticos em associação relevante com sintomas do humor, o que não foi descrito.
- C)depressivo persistente.
Errada, porque o transtorno depressivo persistente é crônico e prolongado, com duração de anos, e não um episódio depressivo típico com início em semanas.
- D)de ansiedade.
Errada, porque o quadro não é de ansiedade: faltam sintomas nucleares como preocupação excessiva, tensão e hiperalerta como eixo principal.
- E)depressivo maior.
Certa, porque o conjunto de anedonia, retardo psicomotor, alteração do sono, perda de energia, concentração prejudicada e ideação suicida por mais de duas semanas caracteriza episódio depressivo maior.
Gabarito: E
O quadro descrito aponta para um episódio depressivo com sintomas bem típicos: humor deprimido/anedonia, perda de energia, alteração do sono, concentração prejudicada, retardo psicomotor e ideação suicida. Quando esses sinais aparecem por pelo menos duas semanas, com prejuízo importante, a psicopatologia e os critérios clínicos do DSM-5-TR e da CID-11 orientam o diagnóstico para transtorno depressivo maior, desde que não haja evidências de mania/hipomania ou explicação melhor por outras condições. Aqui, o detalhe importante é que Lúcio nega delírios e alucinações. Isso enfraquece a hipótese de quadros psicóticos ou esquizoafetivos, porque nesses transtornos o componente psicótico é central ou, no mínimo, relevante em algum momento do curso. Também não se trata de personalidade, porque transtorno de personalidade é um padrão duradouro e estável, não um episódio com início recente e sintomas vegetativos marcantes. Outro erro comum é confundir com transtorno depressivo persistente. Esse costuma ser mais crônico, com humor deprimido na maior parte do tempo por pelo menos 2 anos em adultos, e geralmente não vem com um episódio tão florido de sintomas como o narrado. Aqui o caso tem cara de episódio depressivo maior, com lista clássica de sinais e o tempo mínimo compatível. Em prova, a chave é ligar sintoma + duração + ausência de psicose. Quando aparecem anedonia, insônia/hipersonia, fadiga, lentificação e ideação suicida por mais de 2 semanas, você já deve pensar no transtorno depressivo maior como primeira hipótese.