Crianças e adolescentes apresentam comportamentos considerados inadequados em diferentes situações e durante os diversos níveis de desenvolvimento. Com relação a esses comportamentos e aos diversos aspectos a eles relacionados, assinale a opção correta.
- A)Crianças com potencial para desenvolver comportamento delinquente apresentam essa resposta desde o estágio pré-operacional do desenvolvimento previsto pela teoria piagetiana.
Errada, porque comportamento delinquente não surge de forma fixa desde o estágio pré-operacional de Piaget, e não há base para vincular esse padrão a uma fase específica do desenvolvimento cognitivo.
- B)A delinquência decorre de condições biopsicossociais, por isso, a intervenção psicológica é mais adequada em níveis de recuperação, considerando-se que o aspecto biológico dificulta a prevenção inicial do comportamento delinquente.
Errada, porque a intervenção psicológica também pode atuar na prevenção, e a delinquência não é explicada por uma barreira biológica que torne a prevenção inicial inviável.
- C)A resposta de empatia depende da identificação do estado emocional do outro e só se manifesta a partir da adolescência, por isso, comportamentos hostis são comuns em pré-adolescentes.
Errada, porque a empatia não aparece só na adolescência e comportamentos hostis em pré-adolescentes não são uma regra decorrente dessa suposta ausência total de empatia.
- D)Entre adolescentes delinquentes, o treinamento psicoterápico em respostas de empatia tem se mostrado eficaz na redução da delinquência.
Certa, porque o treinamento psicoterápico de empatia pode reduzir condutas delinquentes ao favorecer reconhecimento emocional, autocontrole e melhor resposta social.
- E)Ambientes familiares disfuncionais podem favorecer o sofrimento emocional do adolescente, mas não estão associados ao comportamento delinquente.
Errada, porque ambientes familiares disfuncionais podem sim estar associados ao comportamento delinquente, além de favorecer sofrimento emocional.
Gabarito: D
Quando a questão fala em comportamento inadequado, delinquência e adolescência, ela está cobrando uma visão biopsicossocial: não existe uma causa única, e sim um conjunto de fatores individuais, familiares e sociais que podem aumentar ou reduzir o risco. Em concursos, isso costuma aparecer em forma de afirmações absolutas, mas a Psicologia do desenvolvimento não gosta de respostas simplistas como se todo adolescente agressivo já fosse um futuro delinquente ou como se a família não tivesse qualquer peso nisso. A delinquência juvenil pode estar associada a dificuldades de empatia, impulsividade, conflitos familiares, vínculos frágeis e ambientes com pouca proteção emocional. Por isso, intervenções que trabalhem habilidades socioemocionais, especialmente a empatia, podem ajudar bastante. A lógica é simples: se o jovem aprende a reconhecer o impacto do próprio comportamento no outro, cresce a chance de reduzir respostas agressivas e transgressoras. É exatamente por isso que a alternativa D está correta. Entre adolescentes com comportamento delinquente, o treinamento psicoterápico voltado para respostas de empatia tem mostrado eficácia na redução da delinquência, porque atua em um fator psicológico importante para o convívio social e para o controle de impulsos. A ideia não é “consertar” o jovem de forma mágica, mas ampliar recursos internos e vínculos mais saudáveis. As demais opções erram ao exagerar, generalizar ou negar fatores conhecidos. Em temas como esse, pense assim: desenvolvimento infantil e adolescente não segue roteiro de novela, com um único vilão. É sempre uma trama de fatores, e a intervenção psicológica pode ter papel preventivo e terapêutico ao mesmo tempo.