A respeito do uso de substâncias em diferentes níveis, de sua ação sobre o organismo e respectivas consequências, assinale a opção correta.
- A)Entre as substâncias alucinógenas, estimulantes e tranquilizantes, as estimulantes são menos nocivas ao organismo quando usadas porque não alteram as funções cerebrais.
Errada, porque substâncias estimulantes também alteram funções cerebrais e podem causar danos importantes, inclusive dependência e prejuízos físicos e psíquicos.
- B)A única droga que não acarreta dependência química é a medicação prescrita pelo médico.
Errada, porque medicamentos prescritos também podem causar dependência química e abuso, dependendo da substância, da dose e do uso prolongado.
- C)A adicção a uma substância é caracterizada por variáveis comportamentais de alerta, cujo diagnóstico depende de exames laboratoriais para confirmação.
Errada, porque a adicção/dependência é um diagnóstico predominantemente clínico e comportamental, não dependendo exclusivamente de exames laboratoriais para ser confirmada.
- D)A dependência química se caracteriza pelo uso continuado de alguma substância que se torna necessária para o funcionamento regular do organismo.
Certa, porque expressa a ideia de dependência química como uso continuado de substância que passa a ser necessária para o funcionamento regular do organismo.
- E)Ao desenvolver tolerância a uma substância, o organismo deixa de apresentar os efeitos físicos negativos quando a droga é usada.
Errada, porque tolerância significa redução da resposta ao mesmo efeito da droga, e não desaparecimento dos efeitos físicos negativos.
Gabarito: D
Quando a prova fala em uso de substâncias, vale lembrar que o assunto não é só "quem usa o quê", mas também como o corpo e a mente reagem. Em psicopatologia, o uso pode variar de consumo ocasional até dependência, e cada padrão traz riscos diferentes para o organismo, o comportamento e a vida social. Dependência química não é só "gostar da substância". Em geral, envolve uso repetido e continuado, com necessidade de manter o consumo para funcionar, presença de fissura, dificuldade de controlar o uso e, muitas vezes, tolerância e abstinência. Na prática clínica e nos manuais diagnósticos, isso aparece como um transtorno relacionado ao uso de substâncias, e não como algo confirmado por um único exame de laboratório. Por isso o gabarito é a letra D. Ela descreve corretamente a ideia central de dependência: uso continuado de uma substância que passa a ser necessária para o funcionamento regular do organismo. A formulação é didática e está alinhada ao entendimento doutrinário da psicopatologia e da psiquiatria sobre dependência, mesmo que na linguagem técnica o diagnóstico seja mais amplo do que essa frase sugere. As demais alternativas escorregam em pontos clássicos: confundem tolerância com ausência de dano, tratam medicamento prescrito como se fosse automaticamente seguro, ou trocam critérios comportamentais por exame laboratorial. Em questões de concurso, a banca gosta bastante dessa troca de conceitos: parece quase igual, mas muda tudo.